Curitiba - Policiais da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC) de Curitiba investigam golpes contra pacientes internados em pelo menos cinco hospitais da capital desde agosto do ano passado.
A polícia ainda não sabe se apenas uma pessoa ou diversos criminosos estão se utilizando da mesma modalidade de crime. Aproveitando o momento de fragilidade dos familiares e, fazendo-se passar por médico assistente a partir de contatos telefônicos por meio de celulares, o criminoso oferece medicamentos importados ou com desconto. O falso médico simula negociar a compra dos produtos por valores mais acessíveis, mas insiste que o depósito deve ser feito em dinheiro e no mesmo dia.
De acordo com o delegado da DEDC, Marcelo Leme de Oliveira, 12 boletins de ocorrência já foram registrados em Curitiba, seis somente em dezembro.
A polícia informou que os boletins se referem a pacientes internados nos hospitais Marcelino Champagnat, Pequeno Príncipe, Hospital Cardiológico Constantine, Erasto Gaertner e Nossa Senhora das Graças. Casos semelhantes já aconteceram em instituições de Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
"O caso é complexo e ainda estamos investigando. Por isso qualquer denúncia ou suspeita sobre o golpe deve ser repassada imediatamente à polícia. Ainda não descartamos totalmente a participação de pessoas de dentro das instituições, pois como o golpista tinha acesso aos dados dos pacientes e aos números dos telefones dos quartos? Esta situação é um absurdo e vamos seguir apurando", disse o delegado.
Em setembro do ano passado, o Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná emitiu um alerta destacando que um estelionatário estaria agindo em hospitais de Curitiba. Na época, segundo a entidade, em apenas três BOs registrados no mês de agosto o prejuízo calculado foi de cerca de R$ 30 mil.

Instituições
O Hospital Pequeno Príncipe informou que "nenhum paciente entrou em contato com a instituição para fazer alguma denúncia, mas orienta que, caso a família suspeite de alguma atitude diferente, informe a direção do hospital". Já o Hospital Marcelino Champagnat afirmou que, "assim que foi informado da tentativa de fraude, prestou auxílio aos pacientes e seus familiares". Informou ainda que emitiu um comunicado a pacientes, médicos e colaboradores sobre a questão e está colaborando com todas as investigações.
A assessoria do Erasto Gaertner, disse que "recebeu denúncias de cobranças indevidas no último dia 2 e imediatamente registrou BOs, já que o nome da instituição foi usada de forma criminosa". O hospital ainda ressaltou que qualquer suspeita de golpe deve ser denunciada à polícia.
O Hospital Constantine afirmou, por meio de assessoria, que "não tem nenhuma informação sobre casos que ocorreram na instituição". O Nossa Senhora das Graças não se manifestou até o fechamento da edição.

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