Polícia investiga denúncia contra MST
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quarta-feira, 03 de setembro de 2003
Evandro Fadel<br> Agência Estado 
Curitiba - A Polícia Civil de Imbituva, a 180 quilômetros de Curitiba, na região central, está investigando denúncias de que duas pessoas, que se identificaram como pertencentes ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), teriam tentado extorquir dinheiro de um proprietário rural para que a fazenda não fosse invadida. Os advogados do fazendeiro gravaram as conversas que tiveram com os supostos integrantes do MST. As fitas estão com a polícia, que já as encaminhou para perícia técnica.
O advogado Fernando Madureira disse que, no dia 20 de agosto, dois homens armados estiveram na Fazenda Imbaú, que tem cerca de 500 hectares e laudo de produtividade, dizendo que tinham ido fazer uma vistoria, porque a propriedade seria invadida no dia seguinte por 80 famílias que se deslocariam do município de Ortigueira. À noite, um deles, que se identificou como João Carlos, telefonou ao proprietário, Amauri Sebastião de Ávila, dizendo que a invasão poderia ser suspensa caso houvesse um ''acerto''.
O fazendeiro marcou conversa para o dia seguinte, quando os advogados Madureira e Fernando Deneka entraram no caso e passaram a gravar os telefonemas. Nas negociações, o primeiro preço para evitar a invasão era de R$ 100 mil, mas baixou para R$ 5 mil. João Carlos afirmou que essa era uma prática comum em vários locais do País.
O advogado Deneka encontrou-se com João Carlos e com outro suposto sem-terra que se apresentou como Emanuel Francisco de Lima. Segundo o advogado, eles vestiam camisa e boné do MST e ocupavam um Tipo prata placas CAA 2686, de Curitiba. A propriedade do veículo está sendo investigada pela polícia.
No dia 29, Lima enviou um fax ao fazendeiro em papel com o timbre do MST e endereço da Cooperativa Central de Reforma Agrária, em Curitiba, com um número de celular. ''Venho por meio desta em nome do MST agradecer V.Sa. pela colaboração ofertada de R$ 5.000,00 em virtude do acordo ao qual chegamos em comum acordo. Sendo o que resta para o momento aguardando seu pronto pagamento'', diz o fax.
Ontem à tarde, a pessoa que atendeu confirmou ser João Carlos, mas desligou o aparelho assim que soube que se tratava de um repórter. Madureira disse que, após o fax, não houve mais contato e não foi possível marcar um local para o flagrante, que seria acompanhado pelo Ministério Público. Segundo ele, os dois homens citaram pessoas que estariam envolvidas na extorsão.
''Estamos dando prioridade a esse caso, em razão da gravidade'', disse o delegado Robson Cezar da Silva Barreto. Ele intimou várias pessoas e está formalizando o pedido de quebra de sigilo telefônico.
Integrantes do MST disseram ontem desconhecer tanto Lima quanto João Carlos. Segundo a entidade, não há nenhum acampamento do movimento em Imbituva. ''Parece que essa história é mais para desviar a atenção'', disse um dos membros do MST. Segundo ele, seria uma forma de tirar o foco do confronto de anteontem entre seguranças e sem-terra, que terminou com a morte de um integrante do MST (leia mais sobre o confronto nesta página).


