São Paulo, 02 (AE) - As denúncias de existência de funcionários fantasmas e a troca da diretoria não teriam impedido que a Anhembi Eventos e Turismo fizesse novas contratações consideradas suspeitas pela polícia. Ontem, o delegado Itagiba Franco ouviu uma ex-funcionária do Serviço Funerário Municipal que recentemente foi contratada pela Anhembi
mas não soube especificar suas funções na empresa. "Na prática
parece que não mudou nada lá", disse o delegado Franco.
Segundo ele, há cerca de um mês a empresa contratou Izaura Viscardi, que até junho trabalhava no Serviço Funerário Municipal. Para exercer a função de gerente da Divisão de Qualidade e Controle do Complexo Anhembi, ela recebe R$ 3,6 mil por mês, três vezes mais do que recebia no Serviço Funerário. Até a contratação de Izaura, o cargo não existia e uma de suas funções, segundo ela, é fiscalizar os estandes de feiras. "Há alguma coisa errada nisso, pois não havia uma pessoa na empresa para fiscalizar os estandes antes de ela ser contratada?", indagou Franco.
A polícia investiga a hipótese de que Izaura tenha se transferido para o Anhembi para evitar a divulgação de informações sobre o Serviço Funerário. "Eu perguntei se a saída dela tinha alguma relação com as denúncias de irregularidades no Serviço Funerário, mas ela negou", explicou. O delegado não descarta a hipótese de que Izaura tenha ganhado um cargo na Anhembi para não revelar possíveis irregularidades no órgão.
Há um inquérito policial aberto no Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird) que apura supostas irregularidades no Serviço Funerário. Uma delas refere-se a eventuais esquemas de propinas no consórcio de floriculturas que fornecia flores para a Prefeitura. Izaura trabalhou durante seis anos no Serviço Funerário. O último local que ela trabalhou foi no setor de licitações, onde recebia R$ 1,3 mil por mês. Em junho, segundo Franco, ela pediu demissão por causa das investigações realizadas pela polícia.
"Ela disse que a pressão estava muito grande e resolveu sair", comentou Franco. Um mês depois, foi contratada pela Anhembi. "Tudo indica que a nova diretoria da Anhembi caminha na mesma direção da anterior", disse, referindo-se ao depoimento de Izaura. O delegado já ouviu mais de cem pessoas no inquérito, suspeitas de serem funcionários fantasmas. Entre elas
vários parentes de políticos que não souberam explicar a função que exerciam na empresa. Outros depoentes admitiram que recebiam da empresa sem trabalhar.

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