São Paulo, 26 (AE) - O delegado Romeu Tuma Júnior apreendeu hoje cerca de 300 caixas de documentos na sede do Centro de Apoio Social e Atendimento (Casa). O órgão, presidido pela primeira dama do município de São Paulo, Nicéa Pitta, pode estar envolvido em um esquema de desvio de recursos públicos. A documentação foi encaminhada para a Divisão de Registros Diversos (Dird), onde será analisada.
As investigações sobre o Casa recaem sobre um selo que era emitido pela empresa, para arrecadação de dinheiro destinado às obras sociais. O selo era repassado à Secretaria das Administrações Regionais (SAR), que os vendia para pessoas interessadas em instalar placas de publicidade nas ruas da cidade. Porém, segundo investigações preliminares da polícia, parte do dinheiro arrecadado, que seria destinado ao Casa, seria desviado.
"Será investigado porque o dinheiro dos selos emitidos pelo Casa não retornavam para o órgão", disse o delegado Tuma. Uma das hipóteses é que o esquema envolveria pessoas do próprio Casa.
As informações coletadas nos documentos, entre os quais notas fiscais e toda a movimentação financeira e de recursos humanos, serão anexadas no inquérito aberto há cerca de um mês para investigar o Casa.
Segundo Tuma Júnior, as investigações seguirão duas frentes. Uma das hipóteses é que os interessados em instalar placas de publicidade não compravam o selo obrigatório, mas pagavam propinas a funcionários das administrações regionais.
Esse esquema foi denunciado pela ex-assessora do vereador Vicente Viscome, Tania de Paula, em depoimento prestado à polícia. Segundo ela, havia um esquema de agências de propaganda que controlavam o dinheiro arrecadado dos empresários
que era convertido em propinas.
Outra hipótese levantada pela polícia é que o dinheiro arrecadado com a venda dos selos fosse desviado, o que envolveria pessoas do próprio Casa. "Preciso saber quem controlava a emissão dos selos, pois o dinheiro deveria retornar ao órgão", afirmou Tuma Junior.
A fiscalização da publicidade era exercida pela Vigilância Urbana, órgão ligado à SAR e que foi extinto no ano passado. O fiscal Israel Fernandes, que trabalhou na Vigilância Urbana, afirmou à polícia que preencheu várias multas sem ter ido ao local da infração. Segundo ele, um supervisor da Vigilância entregava uma lista dos estabelecimentos que deveriam ser multados.
Nicéa Pitta negou que tenha cometido irregularidades e não tinha conhecimento de suposto desvio de verbas. Segundo ela, sete meses após assumir o Casa, foi alertada por um funcionário sobre o dinheiro que deveria ser arrecadado com o selo da publicidade.
Ao comunicar o fato ao prefeito Celso Pitta (sem partido), ficou decidido que o selo seria extinto e o órgão viveria exclusivamente de doações. "A forma como o dinheiro do selo era controlado deve ser perguntado para a administração anterior", esquivou-se Nicéa.
Assesores de Nicéa, porém, admitem que os diretores do Casa no início da administração Pitta deveriam saber e controlar o dinheiro do selo. Eles não descartam a hipótese de envolvimento de funcionários no suposto esquema.

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