Bombeiros isolaram prédio após a explosão; uma criança morreu e há vítimas internadas
Bombeiros isolaram prédio após a explosão; uma criança morreu e há vítimas internadas | Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o que teria ocasionado a explosão em um apartamento no bairro Água Verde, em Curitiba. Três pessoas ficaram feridas na manhã de sábado (29) e uma criança de 11 anos morreu mesmo após atendimento no hospital. Mateus Henrique Lamb foi sepultado na tarde deste domingo.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, as equipes aguardam laudos de materiais encaminhados para perícia e testemunhas devem ser ouvidas nos próximos dias. Não há prazo para a conclusão do inquérito. Um serviço de impermeabilização em sofá era realizado no momento em que o incêndio começou.

O casal que mora no apartamento e o técnico que executava o serviço permanecem internados no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, em Curitiba. Gabriel Araújo, 27, teve 30% do corpo queimado. Até a tarde deste domingo, o estado de saúde dele era considerado estável, segundo informações da assessoria de imprensa do hospital.

Raquel Lamb, 23, teve 80% do corpo queimado e permanece em estado grave na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ela era irmã de Mateus que chegou a ser arremessado para fora do imóvel com a força da explosão.

O técnico Caio Santos, 30, teve 30% do corpo queimado, principalmente as vias aéreas. Ele também permanece na UTI em estado grave sem previsão de alta.

O prédio de seis andares, com quatro apartamentos por andar, foi interditado por tempo indeterminado após avaliação de integrantes da Comissão de Segurança em Edificações de Imóveis, da Prefeitura de Curitiba. A liberação do espaço depende de um laudo técnico que comprove a segurança do prédio. O documento deve ser apresentado por representantes do condomínio. O Corpo de Bombeiros constatou danos em todos os andares, incluindo na escada e no duto do elevador.

Explosão teria acontecido durante impermeabilização de sofá
Explosão teria acontecido durante impermeabilização de sofá | Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação

'Foi um barulho estrondoso', conta moradora

Logo após abrir as janelas do apartamento, a psicóloga Lucilene Garcia de Farias ouviu a explosão. A moradora do 2º andar estava com o filho de 13 anos. “Foi um barulho estrondoso e uma chuva de vidro caindo na sacada. Meu filho me abraçou forte. Quando olhei para fora, vi as pessoas olhando para o meu prédio e o pessoal avisou do fogo”, relata.

“Eles me pediram a chave para entrar no prédio. Joguei com toda a força que tinha e a chave caiu na rua. Uma das pessoas entrou e começou a fazer os primeiros socorros”, detalha. A psicóloga pegou uma mochila com alguns pertences e saiu do imóvel com o filho e a cadelinha de estimação.

Lucilene e o filho vivem no apartamento alugado há, aproximadamente, três meses. Ela passou mais de 24 horas sem dormir após a explosão. “Estou até agora em alerta, com o espírito de fuga. Quando cochilo, sonho com a cena novamente”, conta. Com a interdição do prédio, ela seguiu para a casa da irmã. Antes disso, um a um, os moradores foram acompanhados pelo Corpo de Bombeiros para pegar pertences essenciais. A psicóloga resgatou documentos, roupas, instrumentos musicais e materiais de trabalho.

“Não conhecia o casal. Na hora, a criança estava dormindo. Eles eram recém-casados. Ganharam de presente o sofá e a impermeabilização. Foi tudo muito surreal. Na hora a gente pensa o que poderia ter feito para evitar, mas quem espera que uma coisa dessas possa acontecer? Depois disso tudo, o que fica é a compaixão dos vizinhos, a amorosidade dos bombeiros e o apoio dos amigos.”

Contratação de serviços exige cuidados redobrados

Serviços de manutenção e de instalação em edifícios e apartamentos precisam ser contratados com muita atenção para não por em risco a estrutura do prédio e não comprometer a moradia dos vizinhos. A diretora de condomínio do Secovi (Sindicato da Habitação e Condomínios) Regional Norte, Ana Maria Losi Marques de Jesus, destaca que “as manutenções não devem estar atreladas apenas ao melhor preço, mas a capacidade técnica de quem vai executar o serviço”.

“É preciso ser exigente na contratação de um serviço. Muitas pessoas falam com o dono da empresa, mas, às vezes, ele manda um funcionário sem muita capacitação com apenas algumas orientações. Há moradores que nem acompanham a realização do serviço contratado. Quando for contratar uma empresa, é importante perguntar a capacitação do funcionário, se a pessoa tem conhecimento dos riscos e quais materiais e equipamentos serão utilizados”, alerta.

Administradores de condomínio, síndicos e funcionários de edifícios são orientados a participar de cursos de brigada de incêndio promovidos pelo Secovi em todo o Paraná. “A gente pede também que os próprios moradores façam esse curso. Não é só sobre utilizar o extintor. É um curso com muitos exemplos práticos, com informações sobre tudo o que poderia ter sido feito para que aquele fato não acontecesse ou, durante o ocorrido, como reduzir o número de feridos e os danos causados”, explica. (Colaborou Mie Francine Chiba e Marian Trigueiros)

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