Polícia investiga assassinato de sem-terra
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi assassinado, no último sábado, em Santa Maria do Oeste (68 quilômetros a oeste de Guarapuava). O caso só foi denunciado ontem pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Dogival José Viana conhecido por ''Dojo'' , 39 anos, segundo a CPT, teria sido morto a mando de fazendeiros da região, ligados ao Primeiro Comando Rural (PCR).
Este é o terceiro crime envolvendo integrantes do MST na região. Em setembro, os sem-terra Paulo Brasil, 36, e Anaro Lino Vial, 52, foram mortos durante confronto com empregados da Fazenda Coqueiro, pertencente à Trombini Florestal S.A., em Foz do Jordão (115 quilômetros ao sul de Guarapuava).
Livre do flagrante, o acusado de ser autor do crime, Claudir José Michelatto, o Graia, 41, apresentou-se ontem na Delegacia de Pitanga (88 quilômetros ao norte de Guarapuava). Ele prestou depoimento, apresentou a arma do crime um revólver calibre 38 , e foi liberado.
Segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública, Graia confessou a autoria, mas alegou legítima defesa presumida. Em seu depoimento à polícia, disse que os dois já haviam tido desentendimentos anteriores. No sábado, Viana teria passado a cavalo por cima de sua lavoura. Ao abordá-lo para tirar satisfação, Graia acabou disparando dois tiros contra Viana, que teria, primeiramente, feito menção de sacar uma arma. Relatou, ainda, que logo depois do confronto, teria tido sua casa destruída e sua família mulher e dois filhos expulsos do assentamento.
Vítima e autor moravam no Assentamento Araguaí. A versão da CPT para os motivos do crime é outra. Segundo o coordenador estadual da comissão, Dionísio Vandresen, Graia teria sido contratado por ''latifundiários'' da região, por R$ 3 mil, para identificar as lideranças do MST que estavam coordenando a ocupação da Fazenda Sonda. A propriedade é vizinha do Assentamento Araguaí e foi invadida, em março, por cerca de 300 famílias de sem-terra.
Vandresen afirmou que como Graia não conseguiu entrar na fazenda para fazer o trabalho de ''espionagem'' teria iniciado, ele mesmo, a perseguição aos líderes do movimento. Ainda segundo a CPT, Grais teria uma lista com 12 nomes de sem-terra marcados para morrer, entre os quais estaria o nome de Viana.
A Secretaria de Segurança informou, por meio da assessoria de imprensa, que o caso está sendo investigado pelo delegado de Palmital, Ricardo de Miranda Monteiro. A Folha não conseguiu contato com o delegado.
A promotora de Justiça de Pitanga, Ana Paula Martins, informou que o Ministério Público (MP) estadual está atuando em conjunto com a polícia. Ontem, ela tomou depoimento da viúva do sem-terra morto e de outras prováveis testemunhas.
A CPT quer rigor na desmobilização do PCR. A Secretaria de Segurança garante que as investigações sobre a suposta organização estão em andamento, assim como as operações de desarmamento em áreas de possíveis conflitos agrários.


