Colisão provocou uma grande explosão e as chamas rapidamente tomaram conta dos dois veículos
Colisão provocou uma grande explosão e as chamas rapidamente tomaram conta dos dois veículos | Foto: PRE/Divulgação



Vinte pessoas morreram e outras 11 ficaram feridas em um grave acidente entre um ônibus e um caminhão que ocorreu no começo da manhã desta segunda-feira (31), no Km 329 da PR-323, em Cafezal do Sul, no Noroeste. Ainda era madrugada quando o ônibus da Secretaria de Saúde de Altônia deixou a cidade com destino a Umuarama, na mesma região. Após cerca de meia hora de viagem, o veículo bateu de frente com o caminhão-tanque da empresa Latco, laticínio que tem sede na região.
A batida provocou uma grande explosão e as chamas rapidamente tomaram conta dos dois veículos. Segundo o secretário de Saúde de Altônia, Edson Souza, a maioria dos pacientes era de idosos que passariam por um mutirão de cirurgia de catarata em um hospital oftalmológico de Umuarama. "Aqueles que sobreviveram conseguiram deixar o ônibus a tempo. Já os mais idosos não tiveram forças para se livrar das chamas", contou.
Dos vinte mortos, apenas dois foram identificados. Os outros corpos ficaram carbonizados e foram encaminhados sem identificação para o Instituto Médico-Legal (IML) de Umuarama. Já os feridos permaneciam internados no Hospital Cemil, em Umuarama, com queimaduras graves, mas fora de risco.
Durante a tarde, a Secretaria de Saúde fez uma reunião com familiares das vítimas no salão de um centro cultural de Altônia. "Tínhamos uma lista inicial, mas nesses casos sempre existem os pacientes que desistem em cima da hora, ou que viajam com acompanhantes diferentes do informado", disse Souza.
A falta de informações precisas aumentou a agonia de familiares dos passageiros que não sabiam se os parentes haviam ou não sobrevivido à tragédia. A aposentada Isabel Lazarin, de 54 anos, foi uma das pessoas que escaparam do acidente ao conseguir uma carona com parentes. "Ela disse que passou pelo trecho e viu o ônibus em chamas. É uma tragédia sem precedentes na cidade", comentou a sobrinha de Isabel, Maria Graça Siquelli. O prefeito Amarildo Novato decretou luto oficial por três dias na cidade de 21 mil habitantes.
O delegado de Iporã, Adaílton Ribeiro Junior, abriu inquérito para investigar o acidente. Segundo ele, os investigadores estiveram no trecho da rodovia mas, pelos grandes danos, não foi possível colher nenhum dado que ajude no inquérito. Segundo ele, os sobreviventes, incluindo o motorista do ônibus, serão intimados para prestar depoimento nos próximos dias. Além disso, a Polícia Civil pediu perícias para revelar as causas do acidente e também sobre as condições dos dois veículos.
O diretor-geral da Polícia Científica, Hemerson Alves, informou que o órgão vai trabalhar em duas frentes. O Instituto de Criminalística (IC) ficará responsável em levantar as causas do acidente, enquanto o Instituto Médico-Legal (IML) se encarregará da identificação oficial dos corpos que, carbonizados, deverão passar por exames de DNA.
Apenas dois corpos foram liberados pelo IML, o do motorista do caminhão e o de uma passageira do ônibus que teve queimaduras de menor grau. "O local em que ocorreu o acidente é muito complexo, o que dificulta definir a dinâmica do acidente. Nos dois casos, de perícias e identificações, trabalhamos com prazos entre 15 e 30 dias", declarou Alves.
O secretário de Saúde de Altônia disse que conversou com o motorista do ônibus e com uma passageira. "Os dois deram a mesma versão, que o caminhão tinha invadido a pista contrária. Ela contou até o que o motorista falou antes da batida: será que o caminhoneiro vai entrar na vila rural?", relatou. Souza contou ainda que o município comprou o ônibus zero quilômetro no início de 2015 e que o veículo passava por revisões constantes. A reportagem entrou em contato com a Latco, mas não obteve retorno ao pedido de entrevista até o fechamento da edição.

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