Curitiba - A Polícia Científica vai começar em breve a coleta de material genético de pelo menos 3,5 mil condenados por homicídios dolosos, estupros e outros crimes hediondos ou praticados contra a pessoa, e que estão presos nas unidades penitenciárias do Paraná. A expectativa é de que até dezembro este trabalho seja iniciado pela Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Os peritos aguardam apenas um direcionamento da Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) para liberar a coleta. Todo o material colhido será encaminhado para o Laboratório de DNA do Instituto de Criminalística (IC) e, posteriormente, incluído no banco de dados.
De acordo com Hemerson Bertassoni Alves, perito criminal e chefe do Laboratório do IC, a ideia da Polícia Científica é realizar uma média diária de 140 coletas de DNA. As visitas nas unidades deverão ocorrer durante três dias a cada mês.
"Tivemos um investimento de cerca de R$ 5 milhões e agora já estamos com um estrutura adequada, com insumos laboratoriais, software e aumento no quadro pessoal. Se pudéssemos já começaríamos a coleta amanhã, mas aguardamos as instruções da Seju", ressaltou.
A lei 12.654/2012, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, prevê a implantação do banco de dados de DNA criminal no Brasil - o Banco Nacional de Perfis Genéticos e tornou obrigatória a coleta do material genético de condenados por homicídio doloso, estupro e outros crimes hediondos.
O Instituto Nacional de Criminalística de Brasília abrigará o banco nacional, que será alimentado por dados de laboratórios de 17 Estados, entre eles o Paraná. A coleta será feita a partir da mucosa bucal. Com um algodão os peritos retiram o material e o levam até o laboratório, onde é feito o mapeamento genético. Atualmente o IC possui um acervo com aproximadamente 300 amostras de DNA catalogadas. "As investigações terão um grande avanço. É um procedimento essencial principalmente na solução de alguns casos", reforçou Alves.

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