Polícia indicia vigilantes por morte de estudante
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sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O delegado Jairo Amódio Estorílio, titular da Delegacia de Almirante Tamandaré, concluiu ontem o inquérito policial sobre a morte do estudante Bruno Strobel Coelho, de 18 anos, na noite de 2 de outubro. O delegado entendeu que os três vigilantes da Centronic Segurança e Vigilância, que já estão presos, acusados de torturar e matar o rapaz depois que ele foi pego pichando o muro de uma clínica vigiada pela empresa, são culpados da morte de Bruno e indiciou os três por homicídio.
O processo, agora, segue para o Ministério Público (MP), que vai apreciar os autos, analisar outros laudos técnicos do Instituto de Criminalística, que ainda não foram concluídos, e encaminhar denúncia à justiça. Caso o promotor Marcelo Brizzo Machado, do MP, considere necessário, novas diligências devem ser feitas pela polícia civil.
O delegado também pediu à justiça a prisão de mais quatro suspeitos de envolvimento no crime: do sócio da Centronic, Nilso Rodrigues de Godoes; o gestor da empresa, Vilso Grassi; o supervisor Ricardo Cordeiro Ryseal, 32, e o vigilante Emerson Carlos Roika, 24. Em depoimento na delegacia, Grassi afirmou que sabia da tortura, mas não do homicídio. Os quatro poderiam ser indiciados por tortura e cárcere privado. Até ontem o juiz que analisa o caso ainda não havia se pronunciado.
Ontem de manhã, a polícia fez a reconstituição do crime, mas só dois dos três vigilantes presos participaram da ação: Eliandro Luiz Marconcini, 25 anos e Douglas Rodrigues Sampaio Rodrigues, 26 anos. O vigilante Marlon Balem Janke, 30, que confessou ter atirado no rapaz, não quis participar. Nos depoimentos, Eliandro e Marlon afirmaram que ambos pegaram Bruno quando este pichava o muro, levaram-no para a sede da empresa onde o rapaz foi torturado. Eles colocaram o estudante no porta-malas do carro e foram para Almirante Tamandaré, onde Douglas trabalhava.
A reconstituição mostrou apenas a ação em Almirante Tamandaré. Depois de bater em Bruno, Marlon e Eliandro teriam se encontrado com Douglas em um posto na entrada da cidade. Dali, Douglas teria indicado o caminho para um terreno baldio, onde o corpo do rapaz foi abandonado. ''A visualização do local vem esclarecer divergências sobre quem atirou. O crime foi cometido pelos três, é só preciso saber a medida da participação de cada um'', esclareceu o delegado.
Marlon, que não participou da reconstituição, prestou depoimentos diferentes na polícia. No primeiro, disse que ele e Eliandro teriam atirado no rapaz. No segundo, assumiu a autoria sozinho. Outra divergência referia-se ao local onde o crime aconteceu. Inicialmente os vigilantes afirmaram que o rapaz foi morto em Almirante Tamandaré. O advogado de Douglas, Claudio Dalledone, afirma, no entanto, que ele já teria chegado morto. No inquérito, o delegado considera que Bruno foi levado com vida no carro e morto no local onde foi encontrado.


