Polícia indicia suspeitos de sequestrar e roubar sobrinha do ministro Sérgio Moro
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quarta-feira, 04 de março de 2020
Rafael Machado - Grupo Folha 
O delegado Luiz Alves finalizou o inquérito do roubo e sequestro sofridos em Maringá (Noroeste) pela sobrinha do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e resolveu indiciar o casal que teria cometido os crimes. Na noite do dia 17 de fevereiro, perto das 22h, a vítima e um amigo foram abordados enquanto seguiam para o carro, um Renault Sandero, que estava estacionado perto da rua Ernesto Mariuci, no jardim Aclimação. O colega da jovem teria reagido ao assalto e sido enforcado pelo criminoso, que só teria parado com as agressões quando tomou a carteira, o relógio e celular do passageiro.

A sobrinha de Moro tentou sair do veículo, mas, segundo a Polícia Civil, foi impedida pela moça presa e permaneceu no banco traseiro. Durante a fuga, os ladrões entraram em uma estrada de terra e o motorista perdeu o controle, batendo em um amontoado de terra. Neste momento, a jovem conseguiu se desvencilhar e saiu do automóvel, gritando e pedindo ajuda. Os suspeitos não foram atrás da vítima e prosseguiram com a fuga.
O rapaz agredido, que foi deixado no local do roubo do Sandero, chamou inicialmente a Polícia Militar, que posteriormente comunicou os investigadores da 9ª Subdivisão Policial (SDP). Eles descobriram que o casal levou três cartões bancários, uma carteira de estudante, um celular e três anéis de prata, sendo que apenas esses últimos não foram recuperados. Resgatada, a parente do ex-juiz federal e o colega prestaram depoimento na delegacia e descreveram as características dos assaltantes.
Acompanhados de policiais militares, os investigadores fizeram uma varredura em bairros da região sul da cidade, onde o homem estaria escondido. Uma equipe da PM acabou o encontrando e reconhecendo por meio de fotos. Durante a abordagem, ele teria confessado o assalto e delatado a comparsa, que também foi presa porque possuía um mandado em aberto por roubo. Mas o rapaz mudou de versão ao ser formalmente interrogado. Ele negou o sequestro, mas, quando questionado sobre a confissão inicial, disse que falou após ter sido coagido pelos PMs.
No inquérito, o delegado reservou um espaço especial para contrapor o argumento do jovem. "Neste ponto, temos que rechaçar as alegações de abuso, uma vez que eu presenciei a apresentação dele pela Polícia Militar, a qual estava em perfeitas condições de saúde, sem qualquer marca ou lesão aparente. Ele estava sem algemas e caminhando por conta própria. A tentativa pífia de desqualificar o serviço policial atenta contra a honra de todos os policiais envolvidos, onde me incluo. De toda sorte, todos os protocolos para a defesa dos direitos do indiciado foram adotados, incluindo o seu encaminhamento para o exame de corpo de delito. Repito que essas alegações não aconteceram na delegacia e não há indícios de que tenha acontecido durante a condução", escreveu.
Também ouvida, a jovem, acompanhada de seu advogado, teria confessado participação no caso, inclusive admitindo que agrediu a dona do Sandero. Porém, relatou que não conhecia as vítimas. O casal foi indiciado por roubo e lesão corporal. Agora, eles, que continuam presos, podem ser ou não denunciados pelo Ministério Público. A reportagem aguarda manifestação da defesa sobre o indiciamento da Polícia Civil.


