Polícia indicia sócio da Veado DOuro
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quarta-feira, 23 de setembro de 1998
Carla Conte Agência Estado 
A polícia de Santo André (Grande São Paulo) indiciou ontem um dos proprietários da farmácia de manipulação Botica Ao Veado DOuro Daniel Derkacheff Vera. Ele é acusado de participar da falsificação do Androcur - foram produzidos cerca de um milhão de comprimidos do remédio sem o princípio ativo.
Derkacheff disse que, apesar de ser um dos diretores, o laboratório Veafarm, pertencente à Botica e onde teriam sido produzidos os placebos, fica aos cuidados do outro sócio, Edgard Herbig, o qual não teria dito a ele nada sobre produção de placebo. Nem sei se ele está a par disso. O advogado de Herbig, Karlheinz Neumann, disse que o sócio vai se pronunciar hoje, após tomar conhecimento do inquérito.
Derkacheff afirmou que só tomou conhecimento que o laboratório Veafarm estava produzindo placebos em junho. Segundo o sócio, essa informação foi dada pelo farmacêutico Henrique Andrade, responsável técnico pelo laboratório, que teria se assustado com o escândalo do episódio do Androcur falso divulgado pela imprensa.
Derkacheff afirmou que só ligou o placebo ao Androcur há duas semanas. O remédio falso que chegou ao mercado, pode ter acelerado a morte de pelo menos dez pacientes que se tratavam de câncer de próstata. Porém o sócio afirma que em junho mesmo determinou a destruição dos 100 mil placebos que ainda estavam na empresa. Esse lote não havia sido retirado pelo vendedor autônomo Élcio Pereira da Silva, que fez as encomendas ao ex-sócio da Botica, Ricardo Garcia, que está preso. Garcia, que é genro de Derkacheff, foi preso na última segunda, após investigação da polícia, que fez o caminho inverso à distribuição de Androcur falso.
Garcia nega ter participado das negociações sobre a venda do placebo e diz nunca ter visto Élcio. Porém Élcio diz ter reconhecido Garcia na delegacia e que ele havia se apresentado como Fernando - e não como Ricardo. A informação sobre destruição dos placebos coincide com o depoimento do farmacêutico Andrade.
Derkacheff disse que a empresa está passando por uma auditoria interna para verificar eventuais falhas, como, por exemplo, a ausência de notas fiscais nas transações comerciais entre Garcia e Élcio. O sócio confirmou informação da gerente de venda Iraci Rossi que uma nota fiscal chegou a ser destruída por determinação da diretoria. Fizemos isso porque essa nota se referia aos 100 mil placebos que destruímos , diz.


