Polícia indicia PM envolvido em morte de adolescente na zona sul de Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de julho de 2017
Rafael Machado - Grupo Folha 
A Delegacia de Homicídios de Londrina (DHL) indiciou o policial militar Bruno Carnelos Zangirolami, envolvido na morte de um adolescente de 17 anos no Conjunto Cafezal, região sul, em 16 de junho, por dolo eventual. Outra informação nova é de que o servidor atirou contra o chão, mas o projétil ricocheteou e atingiu a vítima no tórax.
O adolescente, que morreu no local, estava junto com mais dois amigos, um garoto de 17 e um rapaz de 19 anos, em frente ao Colégio Estadual Maria José Balzanelo Aguilera, onde o PM, lotado na 4ª Companhia Independente, residia em uma dependência nos fundos.
Segundo a Polícia Civil, os três jovens estavam encostados no muro do colégio quando foram abordados pelo policial. Testemunhas ouvidas ao longo do inquérito e que presenciaram o crime disseram que o PM xingou o trio antes de atirar. De acordo com as investigações, os jovens estavam fumando maconha, conversando e ouvindo música.
Após o disparo, o PM tentou socorrer o adolescente com massagens cardíacas. As testemunhas garantiram aos investigadores que o indiciado "estava bastante desesperado para salvar o garoto". Mesmo assim, a polícia acredita que o policial "assumiu o risco de produzir o resultado morte, embora evidentemente não o desejasse, pois era previsível que o projétil poderia ricochetear e atingir algum dos jovens".
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Zangilorami. A pistola usada por ele, uma Taurus calibre 40, foi apreendida. Na semana passada, o Instituto de Criminalística emitiu laudo informando que a arma não apresentava nenhuma falha, o que descarta a hipótese de disparo acidental.
O advogado da família da vítima, Mancini Júnior, avaliou como "correto" o resultado das investigações da Polícia Civil. Ele considerou "um absurdo o policial militar dar um tiro ao chão para amedrontar os jovens". Segundo Júnior, a atitude poderia ser diferente. "O ideal seria levar o trio para assinar um termo circunstanciado, e não agir dessa forma".
A morte do adolescente provocou um protesto simbólico dois dias após o crime. Familiares, colegas de sala e professores colaram cartazes no muro da escola e acenderam velas. Ele foi enterrado em Maringá.


