Polícia indicia oito por depredação no Pará
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Carlos Mendes 
Belém, 20 (AE) - O diretor da Divisão de Polícia Especializada do Pará, delegado Vicente de Paulo Costa, anunciou no final da tarde que vai indiciar oito pessoas por danos ao patrimônio público e privado, lesões corporais, e formação de quadrilha durante a invasão, apedrejamento e destruição de veículos nas instalações da Secretaria de Defesa Social, segunda-feira, 17, em Belém. Elas participavam de uma passeata de protesto pelos quatro anos da morte de 19 trabalhadores rurais sem terra em Eldorado dos Carajás.
O delegado disse que está estudando a possibilidade de também indiciar "como cidadão, e não como autoridade", o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PT).
Os oito acusados, segundo Costa, foram identificados por fotografias e imagens de televisão como participantes do quebra-quebra. Já o prefeito, teria feito discursos ofensivos ao governo estadual e incitado os manifestantes a promover atos de vandalismo.
A relação dos acusados divulgada por Costa é a seguinte: o presidente do Centro de Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), sociólogo Domingos Conceição, a diretora da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sueli Oliveira, o diretor nacional do MST, Jorge Luiz Rodrigues Neri, o integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Pará, Fabiano Bringel, o pedagogo da Escola Bosque conhecido por Samuel, a presidente da comissão de bairros de Belém, Maria dos Anjos, o funcionário do Distrito Administrativo da prefeitura de Belém em Icoaraci de prenome Heleno, e o agente Distrital do Bairro do Benguí, Antonio Leite.
O delegado informou que outras sete pessoas estão sendo investigadas e poderão também ser indiciadas em inquérito policial se ficar comprovado que também tiveram participação no quebra-quebra. "Quero dizer que a polícia está agindo dentro da lei, respeitando as garantias individuais", afirmou Costa, contestando acusações do MST e de várias entidades sobre abuso de poder da polícia.
O advogado Walmir Brelaz anunciou no início da noite que estava ingressando com pedido de habeas-corpus preventivo em favor dos oito acusados. "A polícia é ágil e eficiente para prender trabalhadores, mas é incompetente, lerda e omissa para colocar na cadeia os assassinos que matam lavradores no campo. Em três dias ela desencadeou uma caça às bruxas em Belém, mas nada fez contra os matadores de Eldorado dos Carajás".


