São Paulo, 10 (AE) - A polícia indiciou hoje mais dois acusados de envolvimento na venda de dados fiscais sigilosos de 17 milhões de contribuintes da Receita Federal e de cadastros completos dos assinantes da Telemar-Rio e da Telefônica, inclusive os que não constam em lista. Os comerciantes José Christiano Pereira Lins Junior e José Adriano Pires estão sendo acusados com base na lei que protege a propriedade de programas de computador. A lei determina pena de 1 a 4 anos em caso de condenação.
Pires alegou inocência em seu interrogatório, mantendo o que já havia dito anteriormente no 5.º Distrito Policial. De acordo com o delegado Manoel Adamuz Neto, que preside o inquérito, Lins Junior admitiu ter copiado o programa da Telefônica. O comerciante afirmou não conhecer a origem dos 16 arquivos encontrados no seu computador, com dados fiscais desses contribuintes.
Laudo do Instituto de Criminalística (IC) havia localizado arquivos semelhantes aos da Receita no computador apreendido na empresa de Lins Junior, na Casa Verde. Neles havia dados como o CPF, o número de dependentes, a atividade profissional e a renda bruta das pessoas cadastradas. Além dos dois, a polícia já indiciou o vendedor Jefferson Festa Perez sob a mesma acusação.
Na segunda-feira, a polícia deverá ouvir novamente o analista de sistemas Carlos Alberto Rodrigues da Silva. Ao depor
Silva negou ter vendido os dados sigilosos e disse ter visto na tela de um computador na empresa de Pires um programa semelhante ao da Receita. O comerciante teria feito a promessa de conseguir os dados atualizados da Receita em março.
Após os indiciamentos, a polícia espera pelos laudos complementares do IC, que deverão revelar a origem dos dados fiscais. Os indiciados trabalhavam com mala direta. Os CD-ROMs com os dados das empresas de telefonia e com as informações sobre os contribuintes estavam sendo vendidos por R$ 6 mil e R$ 4 mil, respectivamente. (Marcelo Godoy)

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