Polícia indicia 16 acusados por incêndio em casa noturna
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de dezembro de 2001
Agência Estado 
Belo Horizonte- A Polícia Civil de Belo Horizonte indiciou ontem 16 pessoas, entre elas secretários e fiscais da Prefeitura, um oficial da PM e um detetive da Polícia Civil, pelos crimes de homicídio culposo e lesões corporais no inquérito que investigou o incêndio na casa noturna Canecão Mineiro, na região centro-oeste da cidade. O incêndio aconteceu no dia 24 de novembro, durante show de uma banda de pagode. Na casa estavam cerca de mil pessoas. Sete morreram e 360 ficaram feridas.
Segundo o delegado Carlos Antônio dos Santos, que colheu cerca de 400 depoimentos e enviou ao Ministério Público inquérito de 1,2 mil páginas, os indiciados agiram com negligência ou imprudência, dependendo do caso. Da prefeitura, dois secretários da regional Oeste, cinco integrantes do setor de fiscalização do órgão, o secretário de Regulação Urbana da cidade, José Abílio Pereira, e o assessor especial do prefeito Délcio Duarte, ex-secretário de Atividades Urbanas de Belo Horizonte, foram acusados de omissão.
''Essas pessoas sabiam que havia irregularidades no Canecão Mineiro há muito tempo, sobretudo a falta de plano e equipamentos de prevenção e combate a incêndios e de saídas de emergência, mas mesmo assim se omitiram e fizeram um jogo de empurra que violou o princípio elementar da supremacia do interesse público'', disse Santos.
A assessoria da prefeitura informou que os indiciados só irão se manifestar quando forem citados judicialmente. Poucos dias depois do incêndio, no entanto, o prefeito em exercício da capital, Fernando Pimentel (PT), que criou uma comissão especial para apurar o acidente - da qual fazia parte o assessor especial Délcio Duarte -, já havia reconhecido negligência do Poder Público em relação à fiscalização da casa noturna. Dezenas de feridos e parentes dos mortos estão processando a administração municipal por danos físicos, morais e materiais.


