Na avaliação do professor da área de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Cléber da Silva Lopes, a presença da polícia é o primeiro indicador da presença do Estado, principalmente para atendimento da população em situações de emergência. "A polícia é um indicador da existência do Estado. Na maioria das vezes os casos não são graves, mas a mediação de conflitos em situações mais simples que não entram na esfera criminal necessitam da intervenção policial", analisou.
Ele explicou que o trabalho realizado pela PM tem um caráter preventivo, o que aumenta a sensação de segurança da população, que ainda pode ser influenciado por outros fatores. Já a Polícia Civil fica responsável pelos boletins de ocorrências, depoimentos e investigações e a ausência do órgão de segurança pode refletir em um descompasso entre o registro de crimes e a realidade. "Se não tem delegacia e o cidadão precisa de deslocar até outro município, ele pode optar por não registrar o crime por causa do custo. A falta de incentivo gera problemas nas estatísticas devido à subnotificação das ocorrências", exemplificou.
Lopes lembrou que nas últimas duas décadas houve um investimento dos bancos na área de segurança com a instalação de equipamentos e a retirada de dinheiro disponível, o que tornou os assaltos mais arriscados e menos lucrativos. "Com a presença policial nas grandes cidades, as quadrilhas migram para as áreas menos protegidas, como os pequenos municípios, que registram mais ataques aos caixas eletrônicos. Isso afeta a sensação de segurança da comunidade, que passa a acompanhar esse tipo de situação mais de perto." (R.F.)

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