Polícia identifica líderes do vandalismo e nega soltura de presos
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Carlos Mendes 
Belém, 18 (AE) - Os responsáveis pelo quebra-quebra no prédio da Secretaria de Defesa Social do Pará já foram identificados e podem ser presos a qualquer momento. Os delegados Aurélio Paiva, Vicente de Paulo Costa e José Alcântara, que evitam citar os nomes dos envolvidos, para "não prejudicar as investigações", passaram todo o dia de ontem trancados numa sala, examinando fitas de vídeo e fotografias divulgadas na imprensa.
À noite, eles traçaram o esquema da prisão de dez envolvidos. O delegado Bertolino Neto, diretor da Divisão de Investigações e Operações Policiais (Dioe), desmentiu informação de uma emissora de tevê de São Paulo sobre a suposta libertação do frei Francineto Pinheiro e dos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) Adiel Dourado Rodrigues e Luíz José Jesus Abreu, acusados de participar da depredação do prédio da polícia.
"Ninguém foi solto, Eu estou aqui neste momento olhando para os presos e não recebi nenhuma ordem da Justiça para soltá-los"
afirmou Neto.
O líder nacional do MST, Jorge Nery, foi identificado nas imagens da tevê como um dos homens que estavam na área de estacionamento do prédio no momento em que os automóveis ali estacionados eram quebrados a pauladas e golpes de terçado por integrantes da manifestação. Um psicólogo conhecido apenas por Paulo, que seria funcionário público estadual, também aparece em fotos publicadas nos jornais como um dos integrantes da Brigada Cabana, um grupo político do PT cuja presença na passeata já estaria comprovada.
A estratégia de invadir, quebrar tudo o que encontrasse pela frente e sair rapidamente do local acabou surpreendendo a polícia, sobretudo a Militar, que não teve capacidade para eviitar nem reprimir os invasores e depredadores da Segup. "São os mesmos que já estiveram em outros atos de violência e são ligados ao grupo mais radical do PT, uma milícia conhecida por Brigada Cabana", afirmou o secretário Paulo Sette Câmara.
Para ele, o flagrante ainda está valendo para prisão dos envolvidos. E aposta que a prisão poderá ocorrer a qualquer momento.
Sobre o suposto vencimento do período de flagrante, Sette Câmara explicou: "O tempo é indeterminado, desde que haja perseguição constante. Os que estavam no local serão presos e processados por danos ao patrimônio público e privado e formação de quadrilha."
O flagrante, diz ele, seria apenas uma peça que inicia o inquérito policial. O secretário admite que houve falha do serviço de inteligência da polícia em identificar o que iria ocorrer. A mudança no percurso da passeata, que saiu da Padre Eutíquio e entrou na Arciprestre Manoel Teodoro (onde fica o prédio da polícia) foi a surpresa que embaraçou e deixou os policiais impotentes para reprimir o vandalismo, admite Sette Câmara.
"Estamos prontos para garantir novas manifestações, desde que sejam pacíficas. Mas as que forem marcadas pela violência serão reprimidas com o devido rigor", garantiu, assegurando que a polícia não mais se deixará surpreender pela estratégia dos manifestantes.


