Polícia identifica líder de sequestro na região de Campinas
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 4 (AE)- A Polícia Civil de Campinas iniciou um cerco para tentar prender Ronaldo de Oliveira, apontado como o líder da quadrilha responsável por uma onda de sequestros na região. Segundo o titular do Setor de Crimes Contra o Patrimônio, Joel Antonio dos Santos, ele foi reconhecido formalmente, através de fotos, pelas vítimas de oito dos nove sequestros registrados desde outubro do ano passado. Seis pessoas presas sob acusação de trabalhar para a quadrilha também apontaram Oliveira como o chefe do bando.
De acordo com o delegado, Ronaldo é filho de Manoel de Oliveira, uma dos integrantes da quadrilha que no ano passado sequestrou o músico Wellington de Oliveira, irmão da dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano. O criminoso está preso em Curitiba enquanto outros integrantes da quadrilha cumprem pena em Goiás. Segundo o policial, Ronaldo não tinha envolvimento com a criminalidade até outubro do ano passado, quando realizou seu primeiro sequestro. "Ele já está com a prisão preventiva decretada", disse o delegado.
Utilizando armamento pesado, o criminoso se caracteriza pela ousadia. Ao abordar as vítimas, faz questão de identificar-se como membro da "família Oliveira". Outra característica da quadrilha é sequestrar sempre duas ou mais pessoas da mesma família. Enquanto uma das vítimas, geralmente criança, é mantida em cativeiro, as outras são libertadas para conseguir o dinheiro exigido pelo bando.
Esse modelo de ação ocorreu nos últimos três sequestros registrados na região. Em fevereiro, o empresário Ricardo Germani, de São Paulo, foi sequestrado junto com seu filho, Ricardo, de 25 anos. O pai foi liberado no dia seguinte, mas o filho ficou em poder dos sequestrados, até a família pagar o resgate de R$ 130 mil. Em março, foi a vez do empresário Luiz André Matarazzo, de Indaiatuba, ser levado junto com seu filho Gonçalo, de onze anos. Libertado no dia seguinte, Matarazzo só obteve a libertação do filho cinco dias depois, ao pagar R$ 100 mil aos sequestradores.
O caso mais recente aconteceu no dia 26 de março, quando a quadrilha sequestrou o empresário Antonio Gabriel Taramelli, de São Sebastião da Grama, e sua filha, Patrícia, de onze anos. Taramelli foi solto no dia seguinte, mas a menina só foi libertada no último final de semana, na periferia de Indaiatuba, após o pagamento do resgate, cujo valor não foi revelado. "Nesse caso, ainda não temos o reconhecimento formal, mas a maneira de agir é idêntica", diz o delegado.
Ronaldo também foi reconhecido por outras vítimas, sequestradas em Vinhedo, Campinas e Monte Mor. Em todos esses casos, os locais escolhidos para cativeiro ficavam na região de Hortolândia e Monte-Mor. "A quadrilha conhece muito bem essa área", diz o delegado. Segundo ele, as seis pessoas presas até agora confessaram ter trabalhado para quadrilha como vigias do cativeiro. "A cada sequestro, eles contratam novas pessoas para tomar conta das vítimas", explica.
A cúpula da polícia estuda a possibilidade de divulgar o retrato de Ronaldo para ajudar na sua captura. "Tudo indica que isso será feito", disse o delegado. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG), em Campinas, também está recebendo denúncias anônimas pelo telefone (0xx19)231-1050. "Estamos checando todas as informações que possam conduzir à prisão da quadrilha", afirmou o policial.


