Polícia identifica agressores de estudante em SJC; todos são de família de classe média alta
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 16 (AE) - A Delegacia da Infância e Juventude de São José dos Campos (SP) identificou hoje os agressores do estudante, Bruno Salles Moraes, de 17 anos
brutalmente espancado na saída do Colégio Anglo Cassiano Ricardo, segunda-feira. O garoto, bisneto do presidente Campos Salles, está internado no Hospital Policlin com várias escoriações e traumatismo craniano. Todos os envolvidos pertencem a famílias abastadas da cidade e estudam em escolas particulares.
Era o primeiro dia de aula de Bruno Moraes na escola. O rapaz havia retornado dos Estados Unidos, onde estudou o último ano, e estava empolgado por rever seus amigos. Ao deixar o portão principal do colécio, porém, ele foi atacado por quatro estudantes, três deles alunos do Anglo e um do ensino médio da Universidade Vale do Paraíba (Univap). Todos os agressores são menores de idade. "Eu não conhecia os caras e nem sei porque me agrediram", contou o garoto.
Os médicos aguardam o resultado da tomografia do cérebro que será feita nas próximas horas para definir se haverá necessidade de submetê-lo a uma cirurgia craniana. Nos primeiros exames ficou constatado que existe um coágulo na região traumatizada da cabeça. O quadro clínico é estável, mas carece de cuidados. O garoto está sendo medicado, inclusive, com anti-convulsivos e permanecerá internado nos próximos dias. "Estou me recuperando bem", disse Bruno, confiante em sua melhora. Covardes - Segundo a polícia, o estudante foi atacado pelas costas e caiu desmaiado. Com requinte de crueldade, seus agressores passaram a chutar lhe a cabeça, os braços e tórax. A irmã da vítima, Ana Paula Salles Moraes, foi buscá-lo na escola por volta do 12h30 e o encontrou com vários ferimentos e totalmente desorientado. Ela conta que o irmão sequer conseguia se recordar do que tinha acontecido, e como ela é estudante de medicina prestou os primeiros socorros. "Ele nunca teve problema na escola e nem conhecia esses garotos".
A polícia está mantendo o nome dos suspeitos em sigilo. O caso será enviado à Vara da Infância e Juventude. Alguns alunos informaram que os agressores pretendiam convocar outros colegas para atacar novamente a vítima. Os motivos da agressão ainda são desconhecidos. Os menores poderão ser convocados depor nos próximos dias. Os diretores do colégio emitiram uma nota oficial lamentando o caso. Eles foram procurados pela reportagem
mas informaram que estavam em reunião.


