Polícia gaúcha dá ultimato a governador
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quinta-feira, 17 de julho de 1997
Agência Estado Porto Alegre 
Reunidos em assembléia, cerca de seis mil homens da Brigada Militar do Rio Grande do Sul deram prazo até a meia-noite de ontem ao governador Antonio Britto (PMDB) para que apresentasse uma proposta de reajuste salarial. Do contrário, eles prometeram paralisar suas atividades a partir de hoje, por meio de aquartelamento. Ou seja, deixarão as ruas para se concentrar nos quartéis.
Os brigadianos querem o cumprimento da lei salarial 10.395, de junho de 1995, que elevaria o piso atual, de R$ 192,37 para R$ 230,00, e aumentaria o percentual do adicional de risco de vida de 100% para 222% sobre o básico. Hoje, por uma distorção, apenas os oficiais superiores recebem os 222%. Desde janeiro de 1996, a perda, calculada por eles, é de 104%.
Depois da assembléia, no final da manhã, milhares de PMs, fardados mas desarmados e apoiados por seus colegas da Polícia Civil, saíram em passeata até o Palácio Piratini, sede do governo, no centro da cidade. Esta foi a primeira manifestação do gênero em 160 anos de BM. No meio do grupo, bandeiras do Rio Grande do Sul, do Brasil e da CUT. Os populares aplaudiram os policiais. O governo foi chamado de chupa-sangue, chupa-salário, chupa-cabras.
Na frente do Palácio Piratini, onde três mil policiais permaneciam em vigília durante a tarde, oradores se sucediam ao microfone. Entre eles, o agricultor Deonilso Marcon, representante dos trabalhadores sem-terra, que tantas vezes se confrontaram com os PMs. Após solidarizar-se com os companheiros, Marcon sustentou que tanto o movimento dos brigadianos quanto a luta pela terra são pela vida.
Paródias também animavam os PMs. Usando o sucesso do grupo Virgulóides, os PMs cantavam É, , .../Mandaram nosso dinheiro/Para a Chevrolet (referência aos R$ 253 milhões do empréstimo favorecido feito à empresa General Motors pelo governo estadual). O soldo, bruto, de um praça da BM é de R$ 384,74. Um estudo da corporação indica que 73% dos cabos e soldados não ganham o suficiente para arcar com os custos de moradia.
À noite estava marcado um encontro entre uma comissão formada por 15 representantes dos policiais e dois secretários de Estado. Hoje, os policiais civis estarão reunidos no pátio do Palácio da Polícia para discutir possível paralisação. Eles também reivindicam modificação do percentual de risco de vida de 100% para 222%.


