Curitiba - Pode passar de R$ 1 milhão a multa que será aplicada ao proprietário de uma fazenda no município de Rio Azul (91 km ao norte de União da Vitória) por ter desmatado uma área de mata nativa de 18 alqueires (cerca de 440 mil metros quadrados). O desmatamento ilegal foi descoberto em uma vistoria realizada com aeronaves da Polícia Florestal. Ontem, uma equipe do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) foi investigar os danos ambientais causados pelo desmatamento na região para estipular o valor da multa a ser aplicada.
Devido a extensão do desmatamento, o auto de infração e o valor total da multa só devem ser conhecidos a partir da próxima terça-feira. Mas segundo o chefe regional do IAP, Mariano Félix Duran, o proprietário da fazenda é reincidente no corte de espécies nativas sem autorização. A área desmatada seria usada para o plantio de soja.
''Seis meses atrás, esse mesmo cidadão já havia sido notificado por ter desmatado uma área contígua a encontrada hoje (ontem). Ele é engenheiro agrônomo, ou seja, não pode alegar que não conhece a legislação. Ainda se fosse um pequeno agricultor, que dependesse do plantio para sobreviver, poderíamos até entender a situação, mas nesse caso o fato de ser reincidente com certeza será um agravante'', afirmou. De acordo com Duran, a área desmatada abrigava várias espécies nativas que são protegidas pela legislação, sendo formada por uma floresta de araucária em estágio avançado além de outras espécies como imbuias e pinheiros.
A obtenção de licenças para desmatamento tem dado causa a uma verdadeira queda-de-braço entre o IAP e setores do agronegócio paranaense, especialmente o de extração florestal. Desde setembro do ano passado o IAP tem se negado a fornecer as licenças para desmatamento em áreas que apresentem espécies nativas, especialmente a araucária e a imbuia. O instituto argumenta que só poderá autorizar o corte depois que um marco regulatório seja estabelecido em conjunto com o governo federal prevendo o reflorestamento. A portaria que proíbe o desmatamento vigora até o dia 30 de março.
Representantes das madeireiras já entraram na Justiça contra a proibição do IAP, que segundo eles estaria inviabilizando a atividade comercial de suas empresas. Eles alegam que caso não possam efetuar o corte e o reflorestamento agora, o efeito poderá ser sentido no futuro, quando não terão matéria-prima para extrair. A Justiça ainda não se posicionou de maneira definitiva sobre o caso.

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