Andradina, SP, 08 (AE) - A Polícia Florestal de Pereira Barreto, apreendeu nesse feriado prolongado 5 mil metros de redes instaladas ilegalmente no reservatório da hidrelétrica de Três Irmãos, a 680 quilômetros de São Paulo. De acordo com o cabo José Gonçalves Filho, as redes estavam abandonadas no rio Tietê e provavelmente pertenciam a pescadores profissionais.
O uso de redes é permitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) , mas há algumas condições. No caso das malhas apreendidas, o policial disse que elas estavam dentro do padrão permitido de 75 milímetros de vão, mas foram colocadas ocupando mais de 1/3 do rio. A legislação permite que se use redes com no máximo 100 metros de largura e intervalos de mais 100 metros entre uma tela e outra.
Nas redes, que praticamente fechavam o lago de uma margem até a outra, a polícia encontrou 35 quilos de peixes. A maioria deles conhecido popularmente como "zoiudo" e "pacu prata". A primeira espécie tem valor comercial, com o filé sendo vendido por até R$ 5,00 o quilo. São necessários mais de 20 exemplares da espécie para se chegar a um quilo. O pacú prata
também chamado de "CD" por causa de seu formado circular e achatado, serve apenas de isca. A Polícia Florestal também investiga o uso desse peixe na fabricação de ração para tanques de piscicultura.
Há mais de três anos a Polícia Florestal deixou de fazer a fiscalização da pesca predatória em todo lago da hidrelétrica por falta de barcos e motores , só adquiridos recentemente pelo governo. De acordo com o cabo José Gonçalves, durante esse período a pesca predatória reduziu o número de peixes no lago e estaria prejudicando o turismo ligado à pesca amadora.
Proibição - A Associação dos Amigos do Lago de Três Irmãos, com sede em Araçatuba, está promovendo uma campanha para proibir o uso de redes em todo rio Tietê. No próximo dia 30 haverá uma audiência pública na câmara municipal da cidade para discutir o assunto. Segundo o presidente da associação, Luís Bertholoto, até mesmo o tucunaré que é um peixe voraz e predador
está sendo dizimado pelo uso indiscriminado das redes.
"Se queremos ter o turismo como fator de renda econômica, não podemos acabar com a vida aquática no Tietê, seja ela nativa ou não", disse Bertholoto. O cabo Gonçalves Filho, de Pereira Barreto, disse que em seu município há apenas uma dezena de pescadores e os maiores responsáveis pela destruição vêm de outras regiões e não vivem exclusivamente da pesca.

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