Comerciantes foram detidos e carga retirada da fazenda ocupada por sem-terra desde 97, devolvida para representante do proprietário da área


Maurício Bores
de Apucarana

Policiais da 2ª Companhia da Polícia Militar interceptaram e apreenderam anteontem, às 23 horas, na BR-466, no trevo de acesso a Arapu㠖 160 km ao sul de Apucarana – um caminhão com uma carga de café, que teria saído da Fazenda 7 Mil.
A denúncia partiu de funcionários da fazenda, que não têm acesso à propriedade desde abril de 1997, quando integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a invadiram.
Conforme revelou ontem o delegado Aparecido Antônio Gregório, a carga e o veículo foram apreendidos e os ocupantes do caminhão presos e autuados em flagrante por receptação de produto furtado. Ficaram detidos os comerciantes Eraldo dos Santos Rossato, 40 anos, e Cláudio Lourenço dos Santos, 24 anos, ambos de Borrazópolis.
Em depoimentos prestados em inquérito policial, os dois contaram que compram café avulso, percorrendo diversas propriedades rurais da região. Eles disseram que da carga que estavam transportando, estimada em 4,5 toneladas, apenas mil e duzentos quilos de café em coco haviam sido comprados dos sem-terra da Fazenda 7 Mil. Segundo eles, o restante fora adquirido em outras propriedades na região de Ivaiporã.
Ontem à tarde, os dois comerciantes foram postos em liberdade, depois que o advogado deles apresentou um pedido de arbitramento de fiança. Segundo Gregório, Rossato e Santos não têm antecedentes criminais e além disso, a receptação nestas circunstâncias é considerada um delito culposo e não doloso.
O delegado acrescentou ainda que o café procedente da Fazenda 7 Mil foi devolvido, ainda ontem, ao representante do proprietário Flávio Pinho de Almeida.
O advogado Elso Bittencourt, que representa o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Vale do Ivaí, declarou ontem à Folha de Londrina/Folha do Paraná que desconhecia tal fato. ‘‘Não acredito que os sem-terra iriam colher e vender café, mesmo porque a área desta cultura é muito pequena na 7 Mil e, praticamente, serve apenas para consumo próprio’’, afirmou Bittencourt.

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