São Luís, 15 (AE) - A Superintendência da Polícia Federal (PF) no Maranhão pedirá amanhã à Justiça Federal autorização para destruir dezenas de pistas de pouso clandestinas existentes no Estado. As pistas, segundo investigações da PF, estariam transformando o Maranhão em entreposto do narcotráfico internacional.
Em recente levantamento realizado pela PF, foram identificadas 86 pistas de pouso para aviões de pequeno porte, das quais mais da metade não possuem registro junto ao Ministério da Aeronáutica. "Os aviões estão trazendo cocaína e armamento", diz o delegado Sidney Lemos, superintendente da PF. "A carga não fica no Estado e as pistas estão servindo apenas como entreposto." Lemos afirma que a droga e as armas são distribuídas para outros Estados e até para fora do País.
As pistas são de propriedade de fazendeiros, empresários e políticos. O delegado diz que algumas pessoas serão ouvidas nos próximos dias sobre o assunto. "Como a investigação envolve gente grande, muitos tentarão impedir que suas pistas sejam dinamitadas", avalia Lemos.
A PF está tomando depoimentos de traficantes presos e cruzando informações com a investigação que vem sendo feita pela Gerência de Justiça e Segurança sobre o envolvimento de deputados, prefeitos, juízes e delegados com o crime organizado no Maranhão. Segundo Lemos, o Maranhão pode estar incluído no roteiro do narcotráfico que tem como base as cidades de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e Corumbá, no Mato Grosso.
Sidney Lemos suspeita que a droga esteja saindo de São Luís pelo Porto do Itaqui, camuflada em cargas como a soja. O porto é um dos maiores do País e transporta em média 10 milhões de toneladas de carga por ano, entre minério de ferro, soja e alumínio. "Estamos diante de denúncias sérias, de pessoas que já viram aviões descarregando armamentos e drogas", revela.

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