O delegado Daniel Gomes Sampaio, da Polícia Federal de Brasília - um dos que comandaram as investigações a pedido do ministro Renan Calheiros (Justiça) -, negou ontem que a PF tenha usado equipamentos emprestados pelo FBI (a Polícia Federal dos Estados Unidos) no sequestro de Wellington Camargo. ‘‘Isso não é verdade. Temos convênios com o FBI, sim, mas nesse caso não houve nada’’, disse Sampaio.
As informações sobre a cessão desses equipamentos - chip e rastreador de celulares - foram passadas por agentes da PF em Goiás. O superintendente da PF no Estado, Antônio Ricardo Carvalho, indagado sobre isso anteontem, em entrevista coletiva, disse que o uso da tecnologia foi fundamental para a elucidação do caso, mas que não poderia revelar os detalhes.
Ele disse também que a PF tem convênios com o FBI e com as polícias de outros países. Segundo ele, foi por causa da tecnologia que ‘‘72 horas após o fim do sequustro os suspeitos estavam presos’’.
Sampaio disse que a tecnologia usada é inteiramente nacional. Parte dos equipamentos usados é de companhias telefônicas, que, a pedido da PF, fizeram rastreamento dos celulares dos sequestradores. ‘‘A tecnologia ajuda, mas sem força de vontade e pessoas que saibam usá-la não adiantaria muito’’, afirmou.
Foram, no total, 5.834 telefonemas analisados desde que a PF entrou no caso, no início de fevereiro. Todos os telefones públicos de uma determinada área de Goiânia foram analisados - antes e depois do sequestro. Foi nesse trabalho que a PF chegou aos três celulares de Campinas (SP), usados pelos sequestradores.
A partir disso, a PF levantou os endereços dos proprietários e os locais para onde as contas telefônicas eram enviadas. Com essa identificação, os passos dos suspeitos passaram a ser monitorados, resultando nas prisões dos 20 acusados.

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