Brasília - A Polícia Federal realizou ontem uma operação para desarticular quatro quadrilhas de doleiros que atuavam em Santa Catarina e movimentavam aproximadamente R$ 2,3 bilhões por ano, desde 2011. Foram cumpridos dez mandados de prisão preventiva, 17 de prisão temporária, 68 de busca e apreensão e dez de condução coercitiva. Até o início da tarde, 20 suspeitos já haviam sido detidos. A PF identificou que outros dois estão viajando e um, morando no exterior. A ação ocorreu nas cidades catarinenses de Itajaí, Balneário Camboriú, Itapema, Dionísio Cerqueira, Porto Belo e Joinville, além de Barracão e Curitiba, no Paraná, e Porto Alegre (RS).
Os doleiros atuavam como representantes de grandes corretoras do mercado financeiro e se utilizavam desse vínculo para realizar transações ilegais de valores para fora do Brasil. Segundo a PF, as corretoras não tinham participação nas fraudes nem estão sendo investigadas.
As quadrilhas fraudavam contratos de importações, fornecendo dados falsos dos compradores, na maioria dos casos, usando empresas de fachada. Outra fraude era pelo sistema de dólar cabo, mas sem que o dinheiro saísse do Brasil. Os doleiros recebiam uma quantia em território nacional e, com a colaboração de parceiros no exterior, depositavam o valor equivalente numa conta do país indicado. "Essa é uma espécie de compensação bancária, mas as transações eram realizadas às margens das autoridades monetárias. Os suspeitos mantinham contas em cassinos nos Estados Unidos e na Argentina", afirmou o delegado responsável pela Operação Ex-Câmbio, Christian Wuster.
A maior parte da clientela dos doleiros era formada por empresário do ramo imobiliário e de comércio exterior. Com o objetivo de ocultar os lucros adquiridos, as quadrilhas usavam laranjas para comprar imóveis, carros de luxo e abrir contas bancárias. Dois gerentes de grandes bancos brasileiros foram identificados pela PF como cúmplices dos doleiros. Cada quadrilha tinha entre quatro e oito pessoas. Wuster estima que, juntas, as quatro organizações criminosas lucraram aproximadamente 10% dos R$ 2,3 bilhões que movimentavam por ano: R$ 230 milhões.

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