Porto Seguro, 20 (AE) - A Polícia Federal continua investigando a denúncia de que um grupo de índios pataxó teria sido expulso a tiros da fazenda Boa Vista, na noite do dia 17. Hoje foram ouvidos mais cinco índios que participavam da ocupação da fazenda, localizada nas proximidades do Rio Caí e do Parque Nacional do Monte Pascoal.
Os índios confirmaram que foram acordados com vários disparos feitos na direção das casas que ocupavam. Quando gritaram que havia mulheres e crianças entre eles e que iriam abandonar o local, houve uma trégua. Foi nesse período que o grupo, formado por quase 120 índios, fugiu para o mato, deixando para trás seus pertences.
De acordo com informações do delegado Jones Ferreira Leite, que conduz o inquérito, nenhuma das cinco testemunhas confirmou a primeira versão dos fatos, divulgada no dia 18 pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), de que dois participantes da ocupação teriam sido feridos a bala. "Eles disseram que todos conseguiram escapar ilesos", afirmou o delegado da Polícia Federal.
Os índios haviam ocupado a área 13 dias antes do tiroteio. De acordo com informações da Funai, aquela área é um foco de tensões e disputas em torno da posse da terra. Os índios reivindicam a posse da Fazenda Boa Vista e de outras propriedades ao seu redor, sob a alegação de que são terras que pertenciam às suas famílias e foram griladas há alguns anos.
O fazendeiro Vitor Dequech, um dos sócios da fazenda, havia dito que os índios saíram tranquilamente da fazenda após uma conversa que haviam tido com soldados da Polícia Militar. O oficial da PM na região também disse que havia estado no local, sem constatar nenhum sinal de violência contra os índios. A Polícia Federal continuará investigando o fato.

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