O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e o ministro Sérgio Etchegoyen (Segurança Institucional) afirmaram que a Polícia Federal instaurou 37 inquéritos em 25 estados para apurar a prática de locaute, denominação para a paralisação realizada por iniciativa ou apoio de empresas durante a greve dos caminhoneiros.

Para Jungmann, houve "apoio criminoso" de empresas ao movimento no instante em que apoiaram o motorista a não executar o seu trabalho para aderir ao movimento paredista. Jungmann ressaltou que os responsáveis serão convocados para prestar depoimento, porém declarou que não poderia confirmar prisões, mas garantiu que alguns mandados foram expedidos.

"Temos comprovado, seguramente, que essa paralisação por caminhoneiros autônomos, em parte, teve desde seu início a promoção e o apoio criminoso de proprietários, patrões de empresas transportadoras e distribuidoras e podem ter certeza que irão pagar por isso", afirmou.

"Identificamos com a maior clareza movimento criminoso de parte dos senhores proprietários donos de grandes empresas, que não permitem, não engajam, não liberam os caminhoneiros. Pelo contrário, lhes dão apoio para permanecer paralisados", destacou.

De acordo com Jungmann, a Polícia Rodoviária Federal emitiu 400 autos de infração no valor total de R$ 2,03 milhões, porém ressaltou que esses valores excluem as multas de R$ 100 mil por hora, que tinham sido anunciadas ontem, após decisão do STF que autorizou a medida.

O ministro da Segurança pública contabilizou 566 interdições parciais de rodovias no país até a noite de sábado. De acordo com seus cálculos, 524 bloqueios foram dissolvidos. "Isso significa que temos número, praticamente meio a meio, entre aquelas que se encontram interditadas e liberadas", declarou.

O ministro Sérgio Etchegoyen afirmou que o acesso aos principais aeroportos e refinarias e o trânsito em estradas que estão entre os principais corredores logísticos começaram a se normalizar.
"Chegamos ao fim do dia caminhando bem na direção de tentar normalizar, num esforço de normalizar o abastecimento", disse Etchegoyen.

A entrevista coletiva foi concedida no Palácio do Planalto depois da realização de reunião com o presidente da República, Michel Temer, e com outros ministros integrantes do gabinete de crise que avalia a situação gerada pela paralisação dos caminhoneiros em todo o país.

No sábado de manhã o presidente Temer assinou um decreto no qual permitiu ao governo assumir o controle de caminhões para desobstruir as rodovias.
A medida, chamada de requisição de bens, já havia sido anunciada pelo governo na sexta-feira (25), mas, segundo o governo, só seria tomada se houvesse necessidade. Jungmann ressaltou que não se trata algo como uma desapropriação.

Jungmann também destacou que o acordo firmado anteriormente continua valendo e que o descumprimento por parte dos caminhoneiros aconteceu porque a negociação foi feita pela maneira tradicional, em que há uma hierarquia vertical conduzida pelos sindicatos, mas que o movimento dos caminhoneiros tem sido realizado horizontalmente, pela comunicação em rede, e isso torna muito mais difícil a negociação. Ele ressaltou que a política do governo em relação a esse movimento possui dois eixos. "Um deles é manter aberto o canal de diálogo. O outro eixo é de autoridade, que estamos exercendo plenamente".

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