Nova York, 26 (AE) - A Corte Federal de Manhattan adiou indefinidamente a extradição para a França do empresário brasileiro José Germano Neto, pedida pelo Departamento de Estado com base em solicitação do governo francês, depois de descobrir que sua prisão em Nova York, em 4 de setembro, foi uma armação da Polícia Federal brasileira, em violação aos seus direitos de cidadão.
Agora, o mais provável é que Germano seja devolvido ao Brasil.
Nos EUA, o empresário não cometeu nenhum crime. Só foi preso porque os dois países têm um tratado em vigor sobre o narcotráfico. Germano está na penitenciária de Ottisville, entre mafiosos e terroristas, aguardando o julgamento da fase americana do processo.
Germano, de 49 anos, dono de uma revendedora de carros BMW no Rio de Janeiro, viajou para Nova York a convite da empresa de automóveis, sem saber que era procurado no exterior. Acusado de narcotráfico na França, ele fora condenado a 12 anos de cadeia, à revelia, em 1996.
A PF, que havia sido comunicada da condenação pela polícia francesa, ocultou deliberadamente a informação de Germano. Ao saber que ele viajaria para os Estados Unidos, emitiu-lhe passaporte e enviou dois agentes no mesmo avião, para entregá-lo às autoridades americanas.
A PF justificou o uso da armadilha pela convicção de que ele é mesmo narcotraficante. Ante a inexistência de provas contra ele no Brasil, a idéia era entregá-lo aos franceses, para que ele cumprisse pena. A ordem de prisão francesa vale nos EUA.
O procedimento da PF foi revelado pelo delegado Luis Doria, ao juiz Manoel Rolim, da 41 Vara Federal do Rio, onde Germano responde a processo por enriquecimento ilícito - aberto depois de sua prisão nos Estados Unidos. A PF tenta provar que a riqueza vem do tráfico.
A informação do método brasileiro chegou aos promotores americanos, enfraquecendo seu caso contra Germano - pelos padrões locais, o governo brasileiro deveria ter dado ao empresário a chance de defender-se das acusações francesas, em primeiro lugar, antes de criar um rolo internacional.
Os promotores pediram a suspensão temporária do processo, em busca de mais provas - mas, na dúvida se Germano é ou não narco, os americanos preferem livrar-se dele. As evidências que os franceses ofereceram à Corte de Manhattan não foram suficientes para extraditá-lo, o que favorece a tese de devolução do preso ao Brasil.
O caso começou quando a polícia de Paris identificou um bando de narcotraficantes atuando no restaurante "Les Muses", chefiados pelo francês Roland Plegat, entre 1991 e 1993.
As investigações apontaram Germano como sendo o fornecedor de 80 quilos de cocaína para Plegat, despachada do Brasil, no período. Os dois teriam ainda conspirado para traficar drogas também para o Canadá. Germano foi sentenciado quando estava no Brasil.

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