Polícia Federal do Rio deporta 24 ciganos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de março de 2001
Agência Folha Do Rio de Janeiro 
A Polícia Federal do Rio realizou ontem a sua maior operação de deportação nos últimos três anos, enviando 24 ciganos de volta à Romênia, seu país natal. Eles estavam ilegalmente no país há cerca de dez meses, vendendo pequenos objetos ou pedindo dinheiro nas ruas do Rio.
Seis agentes acompanhariam o grupo até Bucareste, capital da Romênia. A operação custou à PF R$ 90 mil, de acordo com a assessoria de imprensa da corporação. Eles saíram do Rio e fariam escala em São Paulo e Paris antes de chegar ao destino final.
O desejo de todos -oito homens, sete mulheres e nove crianças, quatro delas de colo- é voltar ao Brasil. Queremos retornar legalmente. Nosso país está muito violento. Recentemente, ladrões mataram um parente meu. Há muita pobreza e dificuldade para conseguir trabalho. Lá, os ciganos são discriminados. Não sei o que esperar, disse Covaci Viorel.
Como a maioria dos adultos do grupo, ele morava em Arad, uma pequena cidade a cerca de 500 quilômetros de Bucareste. Algumas das crianças nasceram em países da América do Sul, como Bolívia e Argentina. A Romênia é feia e violenta, e as pessoas são ruins, disse Kovaci Yasmin, 10, filha de Viorel.
O grupo entrou no Brasil de ônibus, provavelmente pela fronteira do Mato Grosso com a Bolívia, segundo a PF. Antes, haviam passado pelo Chile e pela Argentina. Na Bolívia, obtiveram visto de permanência, mas preferiram não ficar.
Viorel afirmou que escolheu o Brasil porque é um país sem guerra, mais avançado do que a Romênia, grande e com lugar para muita gente. De acordo com ele, o grupo sobrevivia da venda de pequenos objetos -como isqueiros e canetas- e de esmolas. Sem documentos, era difícil arrumar trabalho. Não houve choro no embarque. As crianças e as mulheres brincavam e sorriam no saguão do aeroporto.


