São Paulo, 24 (AE) - A Polícia Federal (PF) desarticulou um serviço de entrega de maconha e haxixe por telefone. Cinco pessoas foram presas. O grupo usava seis motocicletas e dois carros para entregar a droga. A quadrilha vendia cerca de 1.000 quilos de maconha por semana. Com sede na cidade de Taubaté, em São Paulo, atuava no Vale do Paraíba e no Rio de Janeiro.
"Era um verdadeiro sistema de disque-maconha", afirmou o agente federal Gilberto Tadeu Vieira Cesar, da Superintendência da PF de São Paulo. Segundo ele, a quadrilha fazia entregas por meio de motoboys e usava duas linhas telefônicas para atender aos pedidos. Para entregas maiores - dois a três tijolos de 2 quilos cada um -, feitas por outros traficantes, a quadrilha usava um Monza e uma Kombi.
As investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF começaram há 41 dias, após uma denúncia anônima. Há 15 dias, uma equipe de agentes federais foi enviada a Taubaté para vigiar a quadrilha. Acompanhando os passos dos acusados, os policiais descobriram que o grupo havia recebido no domingo uma tonelada da droga. O carregamento veio do Paraguai até a Grande São Paulo, de onde foi levado para o Vale do Paraíba.
Prisões - Os agentes da equipe avisaram a delegacia em São Paulo para que reforços fossem enviados a Taubaté. Ao todo, cerca de 15 homens participaram da operação em vários carros disfarçados. Eles cercaram a casa da Rua Cinderela, no bairro de Gurilândia, que pertence a Adauto Alves de Jesus, de 24 anos. Era nessa local que a quadrilha estocava a droga. Por volta das 5 horas, os agentes federais entraram na casa. Não houve reação à prisão.
Durante a revista, os policiais encontraram o carregamento da droga, dividido em pacotes de 2 quilos e embalado com plástico azul. Havia meio quilo de bolinhas de haxixe em um saco plástico.
Além de Alves de Jesus, os policiais detiveram Gilberto Rodrigues, de 48 anos, apontado pela PF como o líder da quadrilha, Reinaldo Santos, de 29 anos, a dona de casa Izolete Ferrete de Oliveira, de 45 anos, e seu filho Diógenes Ferrete de Oliveira, de 28 anos. Nenhum deles quis dar entrevistas.
Presos sob a acusação de tráfico de drogas, todos estavam sendo interrogados em São Paulo, na sede da PF, no começo da noite de hoje. Rodrigues é o único que já foi preso e acusado de tráfico.
Além das prisões, os policiais federais também apreenderam o Monza e a Kombi e seis motocicletas - duas Strada CBX-200, três CG-125 e uma Yamaha XT-600. A Kombi contava com um disfarce: ela também era usada para a entrega de pães no Vale do Paraíba.
A droga e as motocicletas foram colocadas em um caminhão da PF e levadas para São Paulo. "Durante as investigações, descobrimos que eles recebiam toda semana uma carregamento igual ao apreendido", afirmou o agente federal. Segundo ele, o grupo não vendia outro tipo de droga além da maconha e do haxixe.
Interior - Segundo ele, esse tipo de negócio, o disque-maconha, está tornando-se comum no interior de São Paulo. "Recebemos informações sobre a existência de esquemas de entrega de droga igual em outras cidades do interior", afirmou.
A polícia continua investigando o caso. O objetivo dos agentes federais é descobrir os responsáveis por trazer o carregamento da droga até São Paulo. Essa foi a maior apreensão de maconha realizada pela PF em São Paulo nos últimos dois anos.

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