São Paulo, 01 (AE) - A Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (Apdif) e a Delegacia do Consumidor (Decon) intensificaram a partir de hoje a repressão contra o comércio de CDs falsificados no País. Na primeira blitz da nova fase da operação, denominada Tolerância Zero, cerca 25 agentes da Apdif, acompanhados por policiais civis do Decon apreenderam no centro de São Paulo, na região da rua 25 de Março, cerca de 1.000 CDs e detiveram 13 pessoas para o registro de boletins de ocorrência. Paralelamente à ação no centro, o Decon informou que seus agentes haviam encontrado um depósito de CDs piratas, cujo conteúdo ainda não havia sido calculado.
Embora a ação tenha sido contra os vendedores finais dos CDs falsificados, o objetivo do delegado Paulo de La Rosa, do Decon, é encontrar um suspeito de ser o grande responsável pela distribuição do produto em São Paulo. O suspeito, que Paulo de La Rosa acredita estar muito próximo de encontrar, é um homem de origem árabe que, no entanto, conta com a ajuda da máfia chinesa para se esquivar da polícia.
Entre os comerciantes detidos hoje, muitos, inicialmente imaginando que seriam presos, choravam, alegando que estavam desempregados e precisavam sustentar a família. Apenas um dos detidos, Esmaílton Santos de Cabral, tinha uma posição estratégica na venda dos CDs: controlava diversos vendedores de uma esquina. Ao ser detido, prometia matar o delegado De La Rosa
caso ousasse prendê-lo.
Mas havia pessoas realmente assustadas, como Elisete Brasil da Costa, flagrada pela operação vendendo não CDs, mas cigarros falsos. Aos prantos, ela culpava o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) pela sua desgraça: "Trabalhava na CET e, desde que o Maluf me demitiu, há sete anos, não encontrei mais emprego para sustentar meus dois filhos." A intenção do programa Tolerância Zero é repetir a blitz três vezes por semana em São Paulo e também mais frequentemente em outros Estados.
Em 45 dias da primeira fase da operação, já foram apreendidos 600 mil CDs, incluindo ações em cooperação com as polícias do Paraguai e da Argentina nas fronteiras. Recentemente
foi fechada uma fábrica de reprodução de CDs no Paraguai com capacidade para 60 mil unidades por dia. A polícia acredita, entretanto, que a maior parte dos CDs copiados ilegalmente seja produzida na ásia, a partir de originais brasileiros, e devolvida ao Brasil por meio de contrabando de lotes relativamente pequenos, difíceis de rastrear, disse o delegado.
O Brasil já é o segundo maior mercado de pirataria desse tipo no mundo, com 45% das vendas, US$ 240 milhões anuais, comprometidas pela atividade, perdendo apenas para a Rússia. No caso de fitas, 100% dos produtos são piratas, segundo o delegado. "Eles conseguiram tirar o mercado de fitas das gravadoras." Este ano, a Apdif já investiu R$ 1 milhão em campanhas de conscientização do problema e apreensões no País.

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