France PressMobilizaçãoDe panelas vazias, faixas e cartazes nas mãos, manifestantes caminharam pacificamente pelo centro de São Paulo A passeata realizada ontem pelos policiais civis e pelas mulheres dos PMs no centro de São Paulo, em protesto contra os baixos salários, ficou aquém das expectativas das 19 entidades da categoria. De panelas vazias, faixas e cartazes nas mãos, cerca de 700 manifestantes, segundo projeção da Polícia Militar, e 1.500 para os organizadores, caminharam pacificamente da Delegacia-Geral da Polícia até a Praça da República. De lá, os policiais seguiram em 15 ônibus até o Palácio dos Bandeirantes. A previsão das entidades era colocar nas ruas cerca de três mil pessoas. ‘‘A chuva e o frio atrapalharam a manifestação’’, disse Lourival Carneiro, presidente do Sindicato dos Investigadores do Estado de São Paulo.
Ao chegar ao Palácio, por volta das 17 horas, os manifestantes foram acomodados no auditório e uma comissão de 21 pessoas - 19 representantes de entidade da Polícia Civil e duas mulheres do movimento de esposas da PM - foram recebidos pelos secretários-adjuntos da secretaria de Segurança e da secretaria de Administração, Luiz Antônio Alves de Souza e Paulo Bressan, e também pelo chefe de gabinete da Casa Civil, Flávio Patrício.
Os policiais civis pretendem fazer uma contraproposta ao governador Mário Covas (PSDB), de aumento escalonado entre 15% para os delegados e 44% para as classes mais baixas da polícia civil, de acordo com o Paulo Roberto Siquetto, presidente do Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo. A categoria não aceitou a proposta do governo de reajuste variável entre 5% a 34%. Inicialmente, os policiais exigiam um aumento de 88,68%.
‘‘Não queremos ser recebidos pelo secretário do secretário, queremos que o governador nos receba’’, disse um dos integrantes da comissão. O secretário de Segurança Pública, José Afonso da Silva, está viajando. No início da noite, após quase uma hora de reunião, as negociações pouco tinham avançado. Os integrantes do governo insistiam na proposta feita por Covas, e os representantes dos policiais exigiam a presença do governador. Eles estavam dispostos a não recuar na última contraproposta, entre 15% e 44%.
O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha, e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, também participaram da passeata. Acostumados a sofrer repressão da polícia, ambos afirmaram ser solidários à luta dos policiais por melhores salários. ‘‘Eu não estou olhando o policial agressor do trabalhador em greve, mas o pai de família, a mãe de família’’, afirmou Vicentinho. ‘‘Temos de combater a política do governo, e não o policial’’, disse Rainha. Perguntado sobre a repressão que o MST sofreu da polícia, Rainha afirmou: ‘‘Gente que não presta tem em qualquer lugar, na Polícia Civil, na Militar, no sem-terra, mas não podemos olhar um caso isolado, temos de pensar na categoria.’

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