Polícia faz megaoperação na Favela Heliópolis, em SP9/Mar, 20:43 Por Natalie Antar São Paulo, 09 (AE) -As Polícias Civil e Militar fizeram hoje uma megaoperação na Favela Heliópolis, na zona sul de São Paulo, em busca dos traficantes que estão ameaçando de morte os moradores da Favela Paraguai, a 2 quilômetros do local. A ocupação ocorreu pela manhã e teve a participação de 300 homens fortemente armados. Eles estavam a pé, a cavalo, em carros e até de helicóptero. Os policiais prenderam dez homens e recolheram três armas, além de cerca de 700 gramas de cocaína e crack. Um menor que carregava 100 gramas de cocaína foi encaminhado à Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Os trabalhos em Heliópolis terminaram às 13 horas, mas a PM continua de plantão na favela vizinha, que está praticamente deserta. As ameaças aos moradores da Favela Paraguai estariam sendo feitas pelos traficantes de Heliópolis, desde o dia 25. O objetivo dos criminosos seria o de desocupar o local para que pessoas ligadas ao tráfico possam morar e trabalhar lá. Covas - Com a onda de ameaças, os favelados começaram a fugir do local, levando tudo o que podiam. Os que ficaram afirmam que não têm para onde ir e rezam para que nada aconteça.Os moradores estão agindo como o próprio governador Mário Covas (PSDB) faria se vivesse no local. Durante uma vistoria, hoje, a obras do Hospital Geral de Vila Alpina, na zona leste, ele disse que, se fosse morador da Favela Paraguai, também fugiria do local, após as ameaças. "Para mostrar que os moradores não estão sozinhos, vamos fazer várias operações na região", disse o delegado titular da Divisão de Entorpecentes do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), Ubiracy Pires da Silva. Posto policial - Na manhã de hoje um posto da polícia foi montado no estacionamento do Hospital Heliópolis, na entrada da favela, onde estavam sendo concentradas as ocorrências. "Esses trabalhos vão continuar sendo feitos intensamente", disse o delegado. Os 800 mil moradores de Heliópolis ficaram surpresos com a operação. O garotinho Renan da Silva Gomes, de apenas 2 anos, olhava atentamente os policiais através de uma brecha na porta de sua casa. Apesar do plantão permanente e das operações da polícia, a maioria dos moradores da Favela Paraguai não quer ficar. A cada dia a área está mais vazia. As crianças que ontem brincavam pelos corredores da favela sumiram. O aspecto é de abandono. O que mais se ouve são os latidos de cachorros, espalhados entre o entulho. Apreensão - "Voltei apenas para ver se conseguia salvar mais alguma coisa", disse a aposentada Maria de Oliveira, de 66 anos. "Por enquanto estou morando de favor na casa de uma amiga mas não sei qual será o meu futuro: como sou sozinha, espero que Deus abra uma porta para mim." O comerciante Cícero Correia, de 54 anos, deixou a Favela Paraguai ontem (08). Dono de um boteco no local, Correia tinha dito que não sairia do lugar. Hoje seu bar estava fechado com cadeado.

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