Rio de Janeiro
Dois mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) entraram em conflito ontem de manhã com cerca de 50 policiais militares do Batalhão de Choque da PM e do Regimento de Polícia Montada em Campo Grande, na zona oeste. Os sem-teto invadiram de madrugada o condomínio Maria Luiza, na Estrada de Campinho, que estava abandonado. O condomínio foi construido na década de 80 com recursos da Caixa Econômica Federal (CEF).
De acordo com o advogado André de Paula, um dos líderes do MTST, os policiais tentaram evitar a ocupação e chegaram ao condomínio dando tiros para o alto. Os sem-teto reagiram e jogaram paus e pedras nos policiais militares. Segundo o MTST, os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar dissolver o tumulto.
A situação só começou a ser contornada por volta das 10h, quando chegaram policiais do 14º Batalhão da PM (Bangu) chegaram ao local em apoio. A PM cercou o condomínio, isolou o local e não deixou que os sem-teto invadissem os cerca de 500 apartamentos do condomínio. O deputado federal Carlos Santana (PT-RJ), que foi ao condomínio prestar assistência aos invasores, disse ter sido agredido pelos policiais. As vereadoras Jurema Batista e Heloneida Studart, também do PT, reclamaram dos métodos violentos dos policiais.
Com a camisa rasgada e hematomas nos braços, Santana disse que foi socado por policiais quando tentava impedir a detenção de um dos líderes dos sem-teto. ‘‘Vamos acionar judicialmente a CEF, porque esses prédios foram construídos há seis anos, com dinheiro público, e estão se deteriorando, sem que haja pessoas morando nos apartamentos’’, afirmou.
Santana disse que conversaria com os sem-teto para que abandonassem o local. ‘‘Acho que os companheiros devem se retirar pacificamente, porque já demonstraram, neste ato, o problema que existe na zona oeste’’, disse. O comandante do Regimento de Polícia Montada, coronel Fernando Bello, disse que ‘‘as pessoas que invadiram o condomínio são pobres, mas isso não justifica que elas cometam o crime de esbulho possessório, previsto no Código Penal’’. Bello garantiu que todos os sem-teto seriam retirados pacificamente. Ele prometeu que vai apurar os eventuais excessos cometidos pelos policiais durante a ocupação do condomínio Maria Luiza.

mockup