BELO HORIZONTE - A Polícia Civil de Minas Gerais estourou ontem um laboratório clandestino de fabricação de dipirona e bicarbonato de sódio, que funcionava no bairro Jardim dos Comerciários, na zona norte de Belo Horizonte. O laboratório foi lacrado e o material apreendido pela Vigilância Sanitária para análise de autenticidade. O resultado deve ser divulgado dentro de 15 dias. Dentro da casa, de cinco cômodos, foram encontrados sacos de bicarbonato de sódio e tambores de Analgin Dab 10 (usado para produzir a dipirona), várias embalagens dos dois produtos e equipamentos de produção, envase e embalagem.
A secretária nacional da Vigilância Sanitária, Marta Nóbrega, disse que esta foi a primeira prisão de um falsificador de peso desde que começaram as investigações sobre fraudes de medicamentos no país. A coordenadora de Produtos da Superintendência de Vigilância Sanitária de Minas, Raquel Cristina de Faria Silva, informou que o laboratório, além de não ter licença do órgão, estava funcionando em situação totalmente irregular. Dentro de uma casa e sem condições de higiene e saúde pública.
O dono do laboratório, Márcio Eustáquo Ribeiro Rodrigues, 36, que foi preso em flagrante, admitiu que estava fabricando o produto de forma inadequada, mas negou que a dipirona e o bicarbonato sejam falsificados. Ele disse que é sócio há dois anos e meio do laboratório Endoterápica do Brasil Indústria Farmacêutica Ltda, sediado no Rio de Janeiro, e cujo nome consta nas embalagens encontradas na casa. Alegou que montou a filial em Belo Horizonte, onde mora, para reduzir custos. ‘‘No Rio o custo de um funcionário é de R$ 400, aqui é de R$ 150.’’ Rodrigues disse ainda que é técnico em farmácia e que estava providenciando o projeto para regularizar a situação junto à Vigilância
Sanitária. Ele não apresentou documentação comprovando nenhuma das informações.
Rodrigues alugou a casa na periferia da capital mineira há cerca de dois meses. Disse que produz em média 50 mil frascos de dipirona por mês e a mesma quantidade de caixas de bicarbonato de sódio. Segundo ele, produzindo em Minas, a empresa tem condições de vender o produto para o mercado por um preço de R$ 0,18 e R$ 0,13 a unidade, respectivamente. No Rio, os preços subiriam para R$ 0,28 e R$ 0,20. O dono do laboratório afirmou que vende os produtos para atacadistas em Minas Gerais e outros Estados.
A representante da Vigilância Sanitária disse que vai notificar todos os estabelecimentos que tenham adquirido o produto em Minas para suspender a venda. O Ministério da Saúde também vai ser comunicado para tomar providências nos demais Estados. Dono do laboratório pode ser condenado de 12 a 15 anos de prisão. A polícia chegou ao laboratório por acaso, ao investigar esconderijo de uma quadrilha de assaltantes.

mockup