O Grupo Especial de Combate ao Narcotráfico (Gecon) estourou ontem à tarde, no Centro de Londrina, um laboratório de falsificação de documentos. No local, qualquer cidadão podia criar uma ''vida'' clandestina, comprando desde a certidão de nascimento até um diploma de médico.
Segundo o investigador do Gecon Márcio Ilkiu, a ação resultou de 90 dias de investigação, iniciadas em razão da grande quantidade de documentos falsos que estavam aparecendo na cidade. Ontem, os agentes detiveram um cliente dos falsificadores, o empresário Juarez Ricardo dos Santos, 47 anos, com um RG falso. A partir do flagrante, foram até o ''laboratório'' na Rua Uruguai, nº 759, e apreenderam farta quantidade de documentos.
Entre eles, havia carteiras de identidade e habilitação, CPFs, diplomas de graduação, talões de cheques, extratos bancários, atestados de licença médica e até selos de tabelionatos para autenticação. ''Se ficar comprovado que estes selos e outros ítens eram originais, é porque alguém estava fornecendo. Vamos investigar o envolvimento de outras pessoas e órgãos. Suspeitamos principalmente de cartórios'', adiantou.
Também foram apreendidos computadores, impressoras, dezenas de carimbos e papéis para ofício de universidades, escolas, entidades de classe e órgãos públicos, como a prefeitura de Londrina. Uma mesma identidade foi reproduzida com fotos de três indivíduos distintos.
Também chamaram a atenção um crachá de técnico de radiologia do Município e uma solicitação, com cópia de RG anexo, de ''diploma de hotelaria e turismo, em qualquer faculdade''. Segundo o soldado Bottino, do Gecon, o preço médio de cada documento era de R$ 80,00.
O arte-finalista Claudemir Ferinichiaro, 39 anos, foi preso por falsificação de documentos públicos. O estudante Geraldo Júnior da Silva, 24 anos, que estava dentro da casa e seria uma espécie de ''laranja'', também foi detido. Até ontem, não era confirmado se Silva e Santos permaneceriam presos. Os três seriam ouvidos na 10 Subdivisão Policial (SDP).

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