Polícia estoura farmácia clandestina no Camelódromo
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Londrina - Com base em um vídeo que mostrava clientes comprando remédios de comercialização proibida em um box do Camelódromo, no centro de Londrina, a Polícia Civil desbaratou na manhã de ontem uma farmácia clandestina que vendia abortivos, inibidores de apetite e estimulantes sexuais no box 241 do centro de compras mais popular da cidade. Oficialmente, o box era um posto de venda de material esportivo, especialmente de camisetas de clubes de futebol.
As embalagens mostram que as drogas eram fabricadas ou comercializadas no Paraguai. Ninguém foi preso, mas o advogado dos acusados garante que os dois indiciados devem se apresentar ainda esta semana à polícia.
O inquilino do espaço, José Martins de Oliveira, de 69 anos, conseguiu escapar da prisão em flagrante ao fugir antes da chegada da polícia. No local, estava apenas uma atendente adolescente, que foi conduzida à 10ª Subdivisão Policial, onde prestou depoimento.
A fuga de Oliveira só ocorreu porque a equipe policial tentou fazer o flagrante no box 201, também de propriedade do acusado. Foi neste box que as imagens do vídeo foram feitas. No entanto, a venda dos remédios proibidos foi transferida há cerca de três meses para o box 241, onde foram encontradas 85 cartelas de comprimidos escondidas em um saco plástico sob o balcão.
No vídeo, é o filho de Oliveira Weverton Martins de Oliveira, de 18 anos - que atende os clientes. Ele também foi indiciado e está sendo procurado pela polícia. O advogado Mauro Martins, contratado pela família, disse que o rapaz está em Curitiba. "Ele não pode ser responsabilizado penalmente porque na ocasião em que o vídeo foi gravado ele ainda era menor de idade", alegou.
Quanto ao pai, o advogado disse que ele não ficava na loja. "Ele apenas ia ao local, destrancava e deixava uma funcionária atendendo", explicou.
Martins assegura que pai e filho se apresentarão ainda esta semana ao delegado que preside o inquérito, Edgard Soriani.
Ambos devem responder pelos crimes de tráfico de drogas e venda ilegal de produtos terapêuticos. As penas variam de 10 a 15 anos de detenção.
A Associação ONG Canaã deve expulsar José Martins de Oliveira do Camelódromo na próxima reunião da diretoria. É o que garante o presidente Samuel dos Santos. Segundo ele, Oliveira terá que entregar o box alugado ao proprietário e o de sua propriedade deverá ser negociado.
"Já havíamos recebido a informação de que havia um ponto de venda de remédios aqui dentro. Já tínhamos colocado até uma pessoa para se passar como cliente, mas creio que ele desconfiou e não conseguimos comprovar o fato", afirmou.
Santos diz que a melhor forma de prevenir é expulsar os membros que estão exercendo atividades ilegais. "Não podemos deixar que um comerciante afete a imagem dos outros 350 que trabalham aqui."
O presidente da associação afirmou que os membros foram expressamente orientados em uma reunião em 2011 a não vender produtos ilegais e a denunciar quem vende. "Recebemos ligações diariamente de pessoas à procura destes medicamentos. Sempre respondemos que também gostaríamos de saber quem vende", afirma. "Nosso objetivo é descobrir todos as atividades irregulares que existam aqui. E sempre prevenir outros casos com uma punição exemplar", frisou. A ONG Canaã já vetou, por exemplo, a instalação de novos pontos de venda de CDs e DVDs.


