São Paulo, 13 (AE) - A polícia está concluindo o inquérito do assalto ao Banespa em São Paulo, ocorrido em 5 de março, no maior roubo a banco do ano no País, que rendeu aos ladrões R$ 37,5 milhões. Estão identificadas 23 pessoas, que participaram direta e indiretamente do assalto. Dos 18 ladrões só um está foragido. A polícia recuperou dezenas de imóveis, carros, motos e dinheiro.
Durante as investigações, dois advogados de dois ladrões foram mortos. Um deles havia denunciado investigadores que teriam roubado dinheiro de seu cliente.
Cinco policiais civis são investigados pela Corregedoria da Polícia Civil, acusados de ter roubado dinheiro de alguns dos ladrões. Na semana passada a polícia prendeu o lutador de boxe Marcos de Oliveira Amaro, de 24 anos, e espera prender o último do grupo em liberdade: Nego Dois Metros.
Ladrão de bancos, ele estaria com cerca de R$ 3 milhões. Para o delegado Ruy Ferraz Fontes, titular da Delegacia de Roubos a Bancos, e coordenador das investigações, muitos dos que estão presos mentiram em seus depoimentos, alegando que haviam gastado todo o dinheiro.
O policial não quis falar sobre o trabalho desenvolvido por sua equipe nos últimos nove meses. A pedido dos advogados dos ladrões foi decretado pela Justiça sigilo no inquérito. Somando o que já foi apreendido - dinheiro, carros, motos - e com casas e apartamentos sequestrados pela Justiça, os policiais acreditam que o valor recuperado ultrapasse R$ 20 milhões.
Família - O segurança Sidney Cirino, que trabalhava no Banespa e deu as indicações para o assalto, continua negando ter recebido sua parte no roubo: R$ 3,5 milhões. Os policiais que o prenderam informaram que os responsáveis pela partilha teriam dado o dinheiro para a família de Cirino, que está na Casa de Detenção.
Amaro, o lutador de boxe, ouvido na semana passada, contou ter recebido pela sua participação no assalto R$ 2,2 milhões. Ele foi convidado para fazer parte do grupo por Abdinaldo Gomes Medeiros, apontado pelos demais ladrões como o chefe da quadrilha e responsável pelo plano, que começou na Penitenciária do Estado, no Carandiru.
Medeiros foi preso na Bahia, onde pretendia montar um comércio. Devolveu R$ 200 mil, mas a polícia acredita que ele esteja com mais de R$ 3 milhões. Amaro alegou ter permanecido fora do prédio do Banespa, com um rádio de comunicações, para alertar os cúmplices se a polícia chegasse. Os sacos com o dinheiro foram levados para duas vans e ele disse ter entrado numa delas. O grupo seguiu para a oficina mecânica de Robinson Gomes Gimenez, na zona sul, onde foi feita a partilha. Ele contou que as reuniões para discutir o plano ocorreram na casa do garcom Ricardo da Silva Soares, que está preso, também na zona sul.
Com sua parte, Amaro comprou 16 carros, uma moto, dez casas, uma delas para a irmã, dois apartamentos no Cingapura da zona leste e um prédio com loja de som em São Caetano do Sul. Amaro queixou-se à polícia porque dois dias depois da compra ladrões roubaram sua moto de 1.000 cilindradas.
Advogados - Os advogados Fuad Hassud e Wanderlei Paleari Pereira, que defendiam os ladrões Edson Luiz Cervini, de 22 anos
e Flásio Trindade de Souza, de 27, foram assassinados.
Hassud denunciou à Corregedoria da Polícia dois investigadores do 85º Distrito, do Jardim Mirna, que tinham efetuado a prisão de parentes de Souza e os libertaram depois que o assaltante apareceu. Ele teria entregue R$ 2,6 milhões aos policiais. Dois meses depois da denúncia, o advogado, testemunha importante contra os investigadores, foi morto em circunstâncias misteriosas.
O advogado Pereira, que defendera Cervini em outros processos, era suspeito de ter articulado com três investigadores, da zona sul, o roubo de R$ 2 milhões recebidos pelo ladrão. O dinheiro sumiu do apartamento de Cervini e, segundo o assaltante, Pereira estava negociando com os investigadores a devolução de um terço do total quando foi morto.

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