São Paulo, 30 (AE) - O inquérito instaurado contra o ex-deputado Hanna Garib deve estar concluído pela polícia até o final de julho. Em seguida, será encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE). A partir daí, a legislação prevê prazo de dez a 15 dias para que seja feita a apreciação dos dados e a apresentação, ou não, da denúncia. De acordo com os policiais, não há fundamentos para que seja solicitada a prisão preventiva do suspeito.
Garib foi indiciado na noite de segunda-feira por concussão, formação de quadrilha, peculato e prevaricação. Caso venha a ser processado ou tenha prisão decretada, as medidas devem seguir os trâmites normais, uma vez que teve o mandato cassado na Assembléia Legislativa, ontem, e não conta mais com a imunidade parlamentar. Também perdeu o direito de ser julgado pelo Tribunal de Justiça. Segundo o delegado Romeu Tuma Júnior, que conduz o inquérito policial, sob sigilo de justiça, a prisão só teria sentido se o ex-deputado tomasse atitudes que pudessem dificultar o trabalho da polícia nas investigações, como viajar sem avisar.
No MPE, o processo contra o ex-deputado estava sob a responsabilidade do procurador-geral de Justiça Luiz Antônio Marrey, que irá transferi-lo para outro setor. A atribuição de oferecer denúncia contra Garib, enquanto ele era deputado, cabia a Marrey. Agora, qualquer promotor pode fazê-lo. Os promotores do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), porém, não sabem, ainda, que denúncias podem ser apresentadas contra Garib. Segundo policiais que cuidam das apurações, o processo de investigação contra o ex-deputado não deve sofrer alterações técnicas significativas. "Mas os procedimentos serão menos burocrátticos a partir de agora", comentou Tuma Júnior.
Caso o delegado julgue necessário ouvir novamente o ex-deputado, o que é provável, Garib não será mais convidado a depor, com direito de escolher horário e local, como no primeiro depoimento. Ele será intimado pela polícia e, se deixar de atender três vezes à convocação, pode ser conduzido à delegacia por força policial. O caso continua sendo investigado sob sigilo de justiça, por determinação do Tribunal de Justiça. "A decisão foi tomada porque as apurações implicaram na quebra de sigilo bancário e fiscal", esclareceu Tuma Júnior. A movimentação financeira foi considerada suspeita pelos policiais. Segundo ele
o mesmo procedimento foi adotado com outros suspeitos, ex-funcionários da Sé.
O processo contra Garib refere-se às investigações sobre eventuais esquemas de propinas na AR-Sé. O inquérito policial, conduzido pelo delegado Romeu Tuma Júnior, aponta Garib como suposto beneficiário de propinas cobradas de ambulantes e comerciantes da região. Para amanhã (01) está marcado o depoimento de 5 dos 17 denunciados no caso de irregularidades na regional da Sé, que já foi controlada politicamente por Garib. (Colaborou Marcus Lopes)

mockup