Polícia espanhola investiga morte de brasileira em Bilbao
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 12 (AE) - A polícia de Bilbao, na Espanha, investiga a morte da paulista Simone de Almeida, de 20 anos, que teria se jogado ou foi atirada de um dos apartamentos do albergue municipal no centro daquela cidade. Simone estava na Espanha desde abril e fora ao encontro do namorado, o espanhol Francisco Javier Gutierrez, de 40, que trabalhou em São Paulo na implantação dos trens espanhóis comprados pelo governo paulista. Ela descobriu que Gutierrez era casado, tinha mulher e filho.
Quando falou pelo telefone com a mãe, Georgina Silva Almeida, no dia 26 passado, queixou-se de que fora enganada. "Minha filha estava triste, disse que pretendia voltar para o Brasil no próximo dia 18 e continuar com a vida porque era muito jovem". Na segunda-feira, dia 28 de junho, dois dias depois de falar com Simone, Georgina recebeu um telefonema do consulado brasileiro em Barcelona comunicando a morte da jovem. O vice-cônsul Leonardo Monteiro, em Barcelona, vem acompanhando as investigações da polícia de Bilbao. Na semana passada encaminhou um fax para o encarregado das apurações, na chefatura de polícia de Bilbao, informando que a família de Simone não acredita em suicídio. Monteiro deverá receber informações da conclusão dos laudos da perícia espanhola sobre as causas da morte. Namoro - Simone conheceu Gutierrez em dezembro durante uma festa de fim de ano no Hotel Danúbio. Ela trabalhava com a irmã, que é esteticista, e começou a namorar o espanhol. "Apaixonou-se e ficou fascinada com a promessa de conhecer e morar na Espanha", contou Georgina. Gutierrez prometeu casamento para Simone. Em fevereiro disse à namorada que precisava voltar para Bilbao e se apresentar à empresa Erense onde é funcionário há alguns anos. Viajou no dia 22 de março e deixou dinheiro para a passagem de avião e hospedagem de Simone. No dia 7 de abril a garota embarcou para Madri. Da capital espanhola foi para Valência.
Ela telefonou todas as semanas para a família dizendo estar muito feliz e contou que estava conhecendo as cidades próximas à Valência com o namorado. Ficou durante quase três meses morando em um hotel de Valência e no dia 24 de junho decidiu ir ao encontro de Gutierrez em Bilbao. No último telefonema para a mãe, no dia 26, Simone contou que no dia anterior a mulher do namorado estivera no albergue e fizera ameaças. A família não tem condições de trazer o corpo para São Paulo. O consulado brasileiro, em Barcelona, informou a Georgina que a despesa passa dos US$ 4 mil. A mãe não tem o dinheiro para o traslado do corpo e vai pedir ao consulado que faça o enterro em Bilbao. Gutierrez deverá ser ouvido pela polícia espanhola e explicar em que condições levou Simone para Valência e, depois, Bilbao. Georgina adiantou que Gutierrez assinou um papel se comprometendo a cuidar de sua filha na Espanha. "Ele deixou que Simone morresse e queremos justiça", afirmou a mãe. A reportagem ligou para Gutierrez diversas vezes. Desde quarta-feira um homem atende o telefone, em Bilbao, diz ser filho de Gutierrez, afirma que o pai não está, não sabe quando voltará e nada sabe sobre a morte de Simone.


