Rio - Oito dias após o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, de 49 anos, ter sido atingido na cabeça por um rojão durante uma manifestação contra o aumento da tarifa dos ônibus no centro do Rio, a Polícia Civil entregou ontem ao Ministério Público o inquérito que apurou a morte do jornalista, declarada na manhã de segunda-feira.
No inquérito, o delegado Maurício Luciano de Almeida, da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão), indiciou o tatuador Fábio Raposo e o auxiliar de serviços gerais Caio Silva de Souza, ambos de 22 anos, por homicídio doloso com dolo eventual (quando se assume o risco de matar) qualificado (por uso de artefato explosivo) e crime de explosão. Se condenados, os dois podem pegar até 35 anos de prisão.
Raposo e Souza estão com a prisão temporária por 30 dias decretada pela Justiça. O delegado também requereu a conversão da prisão temporária em preventiva, para que a dupla permaneça atrás das grades até o julgamento. Como os indiciados estão presos, a promotora Vera Regina de Almeida, da 8ª Promotoria de Investigação Penal (PIP), terá prazo de cinco dias para analisar todo o inquérito e decidir se oferece denúncia à Justiça ou se devolve o procedimento à Polícia Civil requerendo novas diligências.
Caso Raposo e Souza sejam denunciados à Justiça por homicídio doloso, o processo permanecerá em tramitação na 3ª Vara Criminal do Rio. Se o juiz Murilo Kieling aceitar a denúncia, Raposo e Souza passarão da condição de investigados a réus. Se ao final da instrução do processo o magistrado decidir pronunciá-los, eles serão julgados pelo Tribunal do Júri (formado por sete pessoas da sociedade).
O advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende os dois acusados presos, disse que vai pedir a anulação do inquérito.

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