Belém, 12 (AE) - Agentes da Polícia Federal e legistas do Instituto Médico Legal de Marabá encontraram, no fim de semana, oito ossadas humanas na fazenda Cabaceira, em Marabá, ocupada por 850 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). De acordo com denúncia de três ex-empregados da fazenda haveria mais de 30 pessoas enterradas perto do local onde as oito ossadas foram localizadas.Em nota divulgada hoje, o MST pedem providências das autoridades e a apuração de outras denúncias de cemitérios clandestinos.
Empregados da fazenda afirmam que no local existia um antigo cemitério onde os trabalhadores enterravam seus mortos. Um perito de Brasília deve chegar amanhã (13) a Marabá para examinar as ossadas.
O fazendeiro Dhélio Mutran, dono da área, admite a possibilidade de haver mais ossadas no local, mas garante que nem ele, sua família ou empregados têm qualquer envolvimento com o fato. "A fazenda existe há mais de 60 anos e nós a compramos há 10 anos da empresa Nelito Indústria e Comércio, um das mais respeitadas e ilibadas da região", disse Mutran. Para o fazendeiro, o MST, com essas denúncias, tenta minimizar sua resistência em cumprir decisão judicial de reintegração de posse.
Execuções - De acordo com um dos líderes do MST na região, Raimundo Nonato Coelho de Souza, o movimento resolveu investigar por conta própria o caso e só comunicou o fato à polícia quando teve certeza de que os três ex-empregados não estavam mentindo. Ele disse que um dos denunciantes teve parentes assassinados na fazenda e enterrados lá mesmo. "Foram execuções sumárias, praticadas por pistoleiros, quando os empregados cobravam pagamento pelo serviço que tinham feito", afirmou Souza.
O delegado Hélio Khristian, da PF, confirma a existência do cemitério. Numa das covas foram encontradas ossadas de pessoas que haviam sido amarradas. Num outro local os peritos recolheram ossos de uma criança e um sapato. As outras ossadas estavam em covas próximas. Um dos ex-empregados contou aos jornalistas que trabalhou durante 20 anos na fazenda e testemunhou a execução de três pessoas. "Eles foram perseguidos
amarrados nas árvores e executados", disse.

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