Polícia encontra cemitério clandestino no Rio
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quarta-feira, 31 de outubro de 2001
Clarissa Thomé<br>Agência Estado - Do Rio de Janeiro 
A polícia descobriu um cemitério clandestino na Favela Parada Angélica, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio, supostamente usado por traficantes ligados a Luiz Fernando da Costa, o ''Fernandinho Beira-Mar'', principal fornecedor de maconha para o Estado, preso em Brasília. Pelo menos 20 pessoas foram enterradas no local. A polícia acredita que vá encontrar no cemitério corpos de moradores da favela que desobedeceram ordens de traficantes e não abandonaram suas casas, além de ossadas de pessoas ligadas ao comércio de drogas.
Em uma semana, é o segundo cemitério clandestino descoberto no Rio. Na última quinta-feira, policiais civis acharam dois crânios e várias ossadas no alto do morro do Cantagalo, entre Ipanema e Copacabana (zona sul), uma das áreas mais nobres da cidade.
Os bombeiros já desenterraram sete corpos, cinco somente ontem. As duas primeiras ossadas, de um casal, foram encontradas há uma semana.
Deocleciano Balbino da Silva, o ''Déo'', de 19 anos, Adriano Pereira dos Santos, o ''Adrianinho'', de 23, e Ronaldo Modesto da Silva, o ''Fumaça'', de 21 foram presos como suspeitos dos crimes. ''Déo'' teria relatado como foram algumas das mortes, segundo a polícia. Com ''Fumaça'' a polícia apreendeu um troféu, que ele recebeu do traficante ''Juca Bom'' como prêmio pela venda de drogas.
De acordo com informações do titular da Delegacia de Homicídios da Baixada, Antônio Silvino, o casal matou um morador da favela, a fim de ocupar a casa dele, no início do mês. No dia 19, o chefe da boca-de-fumo Marcos Paulo Rodrigues de Oliveira, o ''Fiel'', comandou o assassinato do casal, já que marido e mulher agiram sem a autorização do tráfico. Ele teve a ajuda dos traficantes identificados apenas como ''Pé-de-Pano'' e William.
No dia seguinte, ''Fiel'' passaria de algoz a vítima. ''Pé-de-Pano'' recebeu ordem do traficante ''Juca Bom'', encarcerado no presídio de segurança máxima Bangu 3, para executar o chefe da boca-de-fumo, suspeito de desfalcar o comércio de drogas. ''A Parada Angélica é 'estica' de Beira-Mar (controlada pelo traficante), mas as ordens diretas são passadas pelo Juca Bom'', explicou o delegado Silvino.
De acordo com Silvino, nenhum dos corpos foi identificado ainda. Equipes da Delegacia de Homicídios estão em busca de ''Pé-de-Pano''. ''O problema é que ele não tem parada certa, se abriga na casa de moradores da favela'', disse o delegado.


