Campinas - A Polícia de São Paulo descobriu ontem no km 91 da rodovia Anhanguera, em Campinas, um carro carregado com pelo menos 30 quilos de explosivos, que serviriam para um suposto atentado contra a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).
A ação teria sido ordenada por um dos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital), José Marcos Felício, o Geléia, de dentro do presídio de segurança máxima de Presidente Bernandes.
Segundo o diretor-geral do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), Godofredo Bittencourt, o PCC planejava iniciar nesta semana uma série de atentados diários no Estado de São Paulo como demonstração de poder do grupo. Entre eles, a principal ação seria o atentado contra a bolsa.
''A ordem era fazer uma festa (atentado) por dia. Isso estava previsto para começar nesta semana'', disse o promotor Roberto Porto.
A ação, segundo o Deic, seria uma continuidade a três outros atentados cometidos pelo grupo contra a Polícia Militar nos últimos 15 dias. Em um deles, na noite do dia 8, em Campinas, o policial Simão Pedro Ribeiro Queiroz, 43, foi morto a tiros.
A descoberta dos explosivos e da ligação de Geléia com os últimos atentados começou com a interceptação de telefonemas feitos pela mulher de Geléia, Petrolínea Felício. Pelo menos oito pessoas ligadas ao PCC estariam participando do esquema quatro presas e quatro que estão sendo procuradas pela polícia.
Por meio das escutas, o Deic e o Ministério Público descobriram que Geléia estava passando as coordenadas para os atentados, pessoalmente, para sua mulher durante as visitas de presos.
Segundo o delegado Ruy Ferraz Fontes, do Deic, a mulher era responsável por passar as coordenadas do marido, por celular, para Nílson Paulo Alcântara dos Reis, que está preso no presídio de Iaras e é membro do PCC.
Teria sido Reis o responsável pelo contato com quatro pessoas que estão sendo procuradas e que teriam conseguido os explosivos em Campinas.
O material, 30 quilos de emulsão explosiva, tem sua venda controlada e deve ter sido roubado de alguma pedreira, segundo Deic.
Segundo a polícia, o material encontrado é o mesmo tipo do encontrado no atentado ao Fórum da Barra Funda.

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