A partir de uma informação dada por um lavrador, a polícia de Ivaiporã (120 km ao sul de Apucarana) encontrou ontem, às 14 horas, cerca de 15 quilos de explosivos, acondicionados em uma mala. O material estava escondido num matagal do Sítio Nossa Senhora Aparecida, bem próximo ao trevo de acesso à cidade. Policiais suspeitam que estes explosivos estejam relacionados com os recentes casos de sabotagens contra torres de transmissão de energia elétrica de Furnas Centrais Elétricas, na região centro-norte do Estado.
Em setembro, a explosão de uma bomba derrubou uma torre próximo de Nova Tebas, causando uma pane no sistema de distribuição da energia produzida por Itaipu. Outros artefatos explosivos foram desativados na base de duas torres em Nova tebas e Manoel Ribas.
A polícia federal, que instaurou inquérito e continua investigando os atos de sabotagem, já foi comunicada sobre os explosivos encontrados em Ivaiporã, e hoje dois peritos, de Curitiba, estarão na cidade para avaliar o material apreendido na delegacia de Ivaiporã.
Ao constatar ontem, que tratava-se de explosivos de alta potência, o delegado Aparecido Antônio Gregório pediu auxílio da unidade local do Corpo de Bombeiros. E, somente depois de confirmado que não havia nada armado para detonação, os bombeiros retiraram todo o material do local.
Na mala, que estava encoberta sob folhagens, a polícia encontrou mais de 100 detonadores, vários retardadores de explosão, um rolo de condel (fio condutor para detonação) e 12 bananas de dinamite, com um quilo cada uma. Através das caixas, a polícia não dispõe de qualquer indicativo de procedência do material. ‘‘Existe apenas a inscrição da palavra ‘britanite’ que, provavelmente, seja a marca do material’’, comentou Gregório.
Para o delegado, tudo leva a crer que, quem estava envolvido com a sabotagem das torres de Furnas, tenha descartado o material diante das investigações e o aparato policial que havia na região. ‘‘Esses explosivos são similares aos que foram desarmados após a explosão da 1ª torre em Nova Tevas’’, avaliou ele.
Segundo técnicos de Furnas, que acompanharam ontem a retirada do material em um matagal, o volume e potência dos explosivos seria suficiente para derrubar dezenas de torres de transmissão.

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