O delegado William Soares já encaminhou o resultado das investigações para a Justiça
O delegado William Soares já encaminhou o resultado das investigações para a Justiça | Foto: Gustavo Carneiro / Grupo Folha

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava a participação de 15 agentes da Guarda Municipal de Londrina no desvio de grande quantidade de dinheiro apreendida no dia 13 de novembro. O trabalho do delegado William Douglas Soares resultou no indiciamento de oito deles por peculato e fraude processual, outros cinco serão indiciados somente por peculato por terem se arrependido e devolvido o dinheiro. A investigação excluiu a participação de dois agentes. Há outra investigação que apura a origem do dinheiro. Os policiais trabalham com a hipótese de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. “O inquérito foi concluído ontem (9) e já foi encaminhado para o Ministério Público para a apreciação e possível denúncia”, afirmou Soares, na sede da 10ª Delegacia de Polícia Civil. Todos os envolvidos continuam afastados das suas funções ligadas à secretaria municipal de Defesa Social.

O esquema dos guardas municipais começou a desmoronar quando um deles foi envolvido em uma situação de violência doméstica. A Delegacia da Mulher foi atender a ocorrência e acabou encontrando grande quantia de dinheiro na casa do suspeito. O caso acabou sendo delatado por uma das partes para a direção da Guarda Municipal, que comunicou o crime à Polícia. O comportamento dos agentes se mostrou diferente, os oito agentes que não colaboraram com as investigações estão relacionados ao flagrante da apreensão, enquanto os cinco demais estavam envolvidos com o patrulhamento da área. Os papéis diferentes no dia do ocorrido também pesaram na diferença da partilha do dinheiro. Cinco agentes receberam R$ 20 mil e os demais, em torno de R$ 70 mil. “Apenas um dos investigados não devolveu o dinheiro. Ele alega ter colocado fogo porque um motoqueiro teria aparecido em sua casa e procurado por ele, o que provocou apreensão. No entanto, este guarda colaborou com o trabalho da polícia”, explicou o delegado.

A Guarda Municipal apresentou uma apreensão de aproximadamente R$ 900 mil em flagrante em um carro modelo EcoSport, próximo ao jardim Nova Esperança, na zona sul. O montante foi encontrado em um compartimento preparado especialmente para esconder o valor. Com o motorista, ainda foi encontrada uma pistola 9 milímetros. Ele foi preso por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A Polícia Civil acredita que o montante era de R$ 1,5 milhão e que cerca de R$ 600 mil tenham sido desviados pela ação dos guardas. “O carro não foi apreendido por um acaso. Segundo as informações dos investigados, o automóvel seguia com outro na zona rural em situação suspeita, mas, quando houve o pedido para que parasse, o EcoSport seguiu e um segundo carro parou, mas nada foi encontrado. Horas depois, eles o reconheceram parado na rua dos Arquitetos”, detalhou.

O delegado-chefe de Londrina, Osmir Ferreira Neves Júnior, participou da apresentação do resultado do inquérito e fez questão de defender o trabalho de sua equipe na condução das investigações. Ele afirmou que pretende entrar com uma ação judicial em conjunto com a Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Paraná contra as declarações de um dos advogados de defesa que se pronunciou colocando em dúvida a honestidade de William Soares. “Foram ataques infundados que atingiram diretamente quem comandou a investigação e isso não pode ser aceito. As medidas serão tomadas”, concluiu Neves.

mockup