São Paulo, 15 (AE) - A polícia e o Ministério Público apreenderam hoje à tarde na sede da Associação Recreativa Osvaldo Cruz, dos alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), fitas de vídeo, disquetes de computador e álbuns de fotografias que poderão levar à identificação dos veteranos apontados nas denúncias como responsáveis pela violência no trote, que terminou com a morte do calouro Edison Tsung Chi Hsueh, de 22 anos. O delegado Marcelo Damas, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e a promotora Eliana Passsarelli examinaram também o local onde foi realizado o churrasco dos calouros, no dia 22 de fevereiro. Os peritos fotografaram a piscina na qual, na manhã de 23 de fevereiro, o corpo de Hsueh foi encontrado. "Fomos com um mandado de busca e nossa esperança é conseguir material para reforçar o inquérito", afirmou o delegado.
Damas relacionou mais um grupo de alunos do curso de Medicina, de um total de quase 200, para prestar declarações. "Já ouvimos aproximadamente cem pessoas, entre estudantes e funcionários, e nosso objetivo é chamar todos os que lá estavam". O delegado não quis falar sobre o laudo necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML), que, segundo a promotora Eliana
comprova que se tratou de assassinato e não de afogamento. "Só falo no fim do inquérito".
A promotora afirma que o calouro foi assassinado e espera provar isso em pouco tempo. O inquérito da morte já tem 240 páginas.
Verdade - O diretor da Faculdade de Medicina, Irineu Tadeu Velasco, declarou hoje que a escola quer a verdade. Negou ter afirmado que a morte do calouro foi acidental. "O laudo aponta as escoriações e as equimoses encontradas no corpo como decorrentes de exposição prolongada à radiação solar, pelo fato de ter sido coberto por um plástico preto, o que contribuiu para elevar sua temperatura".
Para Velasco, a afirmação dos legistas de que se tratou de "morte por asfixia mecânica, na modalidade de afogamento, primário e completo", sem o encontro de "sinais indicativos de ação vulnerante externa", não permite concluir que Hsueh foi espancado antes de morrer. Para ele, também a hipótese de homicídio "não se sustenta no laudo, embora deva ser investigada por todos os outros meios legais". Bar - Hoje, o bar da associação foi multado pelo Departamento de Polícia do Consumidor (Decon), por falta de higiene e mercadorias vencidas.

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