São Paulo, 17 (AE) - A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE) realizaram hoje uma apreensão de documentos na Administração Regional da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. O material será anexado ao inquérito policial que investiga supostas irregularidades administrativas no órgão. Além de processos administrativos, a polícia recolheu agendas de funcionários, consideradas suspeitas pelos policiais e promotores. "Nas agendas foram encontradas estranhas movimentações financeiras", disse o promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação e Repressão ao Crime Organizado (Gaecco).
Segundo ele, a operação já estava sendo planejada há alguns dias. Todo o material foi encaminhado à sede da Divisão de Registros Diversos (Dird), no Butantã. Sete funcionários da regional acompanhariam os policiais, para prestar esclarecimentos. De acordo com o delegado Romeu Tuma Júnior, que conduz o inquérito, a apreensão ocorreu por causa de denúncias anônimas de que documentos importantes e que apontariam supostas irregularidades praticadas no órgão pudessem ser extraviados, o que eliminaria eventuais provas. No momento em que os policiais chegaram à regional, inúmeros documentos estavam sendo colocados em dois automóveis, que também foram apreendidos pela polícia.
Os funcionários disseram que os processos eram necessários porque os fiscais estavam indo para uma diligência, na região. "Estávamos com medo de que pudesse acontecer algo semelhante do que ocorreu em Pinheiros", justificou Tuma. Ele se refere ao incêndio ocorrido na semana passada na regional de Pinheiros em que diversos documentos foram queimados. Segundo Tuma, hoje havia indícios de que alguns processos já podem ter desaparecido, pois alguns armários estavam com as prateleiras vazias.
A operação foi acompanhada por promotores da Promotoria de Habitação e Urbanismo do MPE. Segundo o promotor Mário Malaquias, havia denúncias envolvendo o setor de Uso e Ocupação do Solo da regional. "Há suspeita de desrespeito à lei de zoneamento e ordens de fechamento de estabelecimentos que não foram cumpridas", disse Malaquias. Foram encontrados alguns processos que estavam paralisados desde 1996. Denuncias - De acordo com Tuma Júnior, a maior parte das denúncias na regional da Vila Mariana, que era controlada pelo vereador Bruno Féder (PTB), refere-se a desrespeito à lei de zoneamento e irregularidades em placas de publicidade instaladas na rua da região. A polícia investiga um esquema em que fiscais de regionais cobravam propinas para que as placas não fossem recolhidas. Além de processos administrativos, a polícia recolheu diversas planilhas sobre recolhimento de lixo. Em uma das salas da regional, foram encontrados alguns processos com indício de rasuras.
O inquérito da Vila Mariana foi aberto há cerca de um mês, a partir de uma denúncia de um empresário da região. Segundo ele, uma fiscal exigiu R$ 3 mil para que pudesse continuar sua obra. O atual administrador regional da Vila Mariana, Roberto Gonçalves Ribeiro, afirmou que, no momento, estão sendo apuradas diversas denúncias de irregularidades na região. "Temos de analisar cada caso pontualmente", disse.
Segundo ele, o fato de alguns processos estarem parados refere-se ao fato da equipe do órgão ser pequena diante da demanda de serviços. Disse que existiam denúncias de corrupção por parte de funcionários. "Todas as investigações são novidades para mim", disse o regional. Para ele, é comum funcionários saírem com processos para traballhos de campo. Porém, decidiu mandar averiguar o motivo da saída de tantos processos, no fim da tarde. "Todos os processos que saem são de responsabilidade do profissional, mas para isso há um controle"
disse Ribeiro.

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