Polícia e ministro Serra recebem amanhã relatório sobre troca de medicamentos no ES
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de agosto de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 02 (AE) - O secretário da Saúde do Espírito Santo, João Felício Scárdua, afirmou hoje que vai encaminhar amanhã (03) à Polícia Civil do Estado e ao ministro da Saúde, José Serra, relatório final sobre a possível troca de um lote de ampolas de glicose por frascos de cloreto de potássio - substância letal, se injetada diretamente na corrente sanguínea. Scárdua confirmou hoje que pelo menos uma caixa - que teve a troca de medicamentos constatada na sexta-feira - foi fabricada pelo Laboratório Hipolabor, de Sabará (MG).
O problema surgiu na noite de sexta-feira, quando o angiologista Homero Doyle Maia Neto, da Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí (ES), descobriu que havia 99 ampolas de 10 ml de cloreto de potássio 19,1% em uma caixa (lote S008/99) que deveria conter frascos de glicose 50%. "Se eu não tivesse atento e olhado o rótulo, o paciente teria morrido", disse o médico. Neto afirmou que a caixa estava lacrada e disse que tem a nota fiscal com a descrição da venda de cem ampolas de glicose.
"O Ministério da Saúde deve tomar alguma providência para saber se foi feita distribuição para outros Estados", afirma a secretário da Saúde. A Vigilância Sanitária do Espírito Santo conclui amanhã a vistoria que está sendo realizada na Santa Casa à procura de outras caixas do medicamento trocado. O resultado será anexado ao relatório que o secretário vai encaminhar à Polícia Civil e ao ministro José Serra. Até o começo da noite, não havia informações sobre a eventual distribuição de medicamentos trocados para outros pontos do Brasil, ou quantas caixas teriam sido entregues no Espírito Santo.
A glicose é usada em hospitais para reanimar pessoas que abusaram de bebida alcoólica. Sua solução pode ser aplicada na veia ou diluída em soro. Já o cloreto de potássio é um produto utilizado em casos de desidratação, mas não pode ser injetado na veia - deve, sempre, ser diluído em soro. Em estado puro, causa morte imediata. A injeção de cloreto de potássio teria sido uma das formas utilizadas pelo auxiliar de enfermagem Edson Izidoro para matar pacientes em um hospital do Rio de Janeiro para supsotamente receber comissão de funerárias, segundo acusação feita pela polícia. Suspeito de matar mais de cem pacientes, ele foi preso em maio e responde a inquérito policial.


